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Sabatinas: de hoje e do meu tempo

Volto ao tempo e imagino adentrando em uma sala de aula do queridíssimo Colégio Estadual de Mato Grosso

As sabatinas que hoje são realizadas no Congresso, nas Assembleias e nas Câmaras é de fazer qualquer cidadão urinar nas calças de tanto rir.
Volto ao tempo e imagino adentrando em uma sala de aula do queridíssimo Colégio Estadual de Mato Grosso, onde fiz os quatro anos de ginásio e os três do curso científico, para enfrentar umas “feras” tais como João Crisóstomo de Figueiredo (para mim o maior professor de Matemática do planeta), um Francisval de Brito (um gigante na geografia) um Rafael Rueda (humilde e um gênio da biologia) e “tentar” fazer uma sabatina mensal. “Aforante” como dizia Odorico Paraguaçu, os outros mestres desse quilate.

O respeito a eles, levava o aluno a um medo e trazia certa insegurança ao mesmo. No caso eu e todos os meus colegas, não tínhamos a menor chance de “arquitetar” um plano B, pois os tínhamos além de excelentes mestres, como nossos ídolos.

Se estudássemos sabíamos do sucesso nas provas, caso contrário, sabíamos também que uma nota baixíssima estava prestes a vir.

Claro que com a nota baixa viriam às consequências para os nossos fins de semana. Por exemplo, ficar sem as domingueiras do Dom Bosco e as do Clube Feminino.

A preocupação em não deixá-las chegar fazia dessas sabatinas um verdadeiro tormento.

Hoje as coisas estão muito mais “difíceis”.

As “sabatinas” deste mundo moderno realizadas para a ocupação de determinados cargos públicos, é de tirar o sono, não do candidato, mas daqueles que esperam que por aí venha alguém do ramo ou alguém disposto a “defender o povo”.

Os “professores” de hoje responsáveis por essas “sabatinas” perdem horas a fio estudando as questões que serão colocadas ao candidato, tanto é o medo de uma reprovação. Alguns fazem reuniões com eles na noite anterior às provas, regadas a um belo escocês, para avisá-los da preocupação em caso de não aprovação. Vinte e quatro horas antes seus interrogadores preocupados com esse provável insucesso de seus candidatos, dão a eles substancial ajuda e orientação sobre as questões.

Que prova coisa nenhuma. Entram na sala com as cartas marcadas, pois tem um grande objetivo se nomeados, continuar ou pelo menos, fazer vista grossa às falcatruas começadas pelos seus chefes.

Imaginem se os meus professores ouvissem o uso da palavra “sabatina” a estas usadas hoje em dia. Tenho certeza de que pelo bem de todos essa gozação das “sabatinas” modernas veio no momento exato, pois nenhum deles está vivo para presenciar essa comédia, embora particularmente ache que mesmo a alguns metros abaixo do solo, alguns remoem seus ossos de vergonha.

Continuarei me esbaldando de rir, quando voltar a assistir a uma “sabatina” destes tempos modernos, diferentes e muito mais “difícil” daquelas aplicadas pelos nossos queridíssimos mestres. E mais, as de hoje, na maioria das vezes, é para “doação” de um cargo vitalício.
EDUARDO PÓVOAS é odontólogo em Cuiabá, Pós-graduado pela UFRJ

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