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Opinião – ”A nossa cara apareceu na Câmara”, diz Jabor

Arnaldo Jabor comenta com detalhes, dignos de sua óptica, os controversos discursos dos deputados na votação do processo de impeachment contra Dilma na Câmara.

O grande Cazuza cantava: “Brasil mostra a tua cara!”. Pois é. A nossa cara apareceu na Câmara. Os nossos vícios culturais e políticos são espelhados nas centenas de deputados que nunca tínhamos visto. Essas figuras que tramam em silêncio as suas mutretas, nos partidinhos de aluguel, estavam deslumbrados em aparecer para o país todo. E capricharam na toilette: penteados que iam do topete com brilhantina até implantes e perucas.

O caráter de cada um aparecia nos narizes de couve-flor, nas bochechas gulosas, nos olhos de rapina, nos beiços de lamber sapatos, nos sorrisos puxa-sacos remoendo palavras solenes : “honra ilibada”, “lábaro estrelado” e “brado retumbante”.

Mas a cara do cara que me fascina é a do Cunha. Ele está sendo acusado de crimes imensos, de contas imensas no exterior, com todas as evidências, que não lhe provocam um leve tremor dos lábios. É fascinante a absoluta ausência de medo ou sentimento de culpa como se houvesse um outro Cunha dentro do Cunha.

Eu sinto que há mesmo um orgulho vivo, uma volúpia de ser tão competente no cinismo. Impressiona também as pistas óbvias, os rabos presos que ele deixou aparecer, quase em um desejo perverso de ser apanhado. As caras do Brasil e a cara do Cunha provam a urgente necessidade de uma reforma politica.

 

Por Arnaldo Jabor, jornalista, cronista e comentarista

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