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Opinião – Crime sem castigo

”A ausência de um voluntariado ético nas trincheiras de nossas forças cívicas, na defesa do bom caminho, constitui entravamento para estaquear pilares resistentes…”

Surge a informação oficial de que bancos privados brasileiros iriam obter R$ 300.000.000,00 dos cofres (e da benemerência) do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Para quê ? Ora, banco privado pedir dinheiro emprestado só tem uma justificativa: vai repassá-lo aos clientes, isto é, atender à demanda de empréstimos pessoais ou corporativos com as habituais e repugnantes taxas de 400% ao ano, enquanto o banqueiro arcará com as taxas típicas de um banco fundado exclusivamente para o fomento da produção industrial ou a outras vertentes da economia nacional (7% a.a.). Isto é usurpação, enriquecimento ilícito, e mais tipos delituosos sucessivos que causam (e já causaram) só desgraças e perdas irrecuperáveis ao país. Tal operação, uma mexicanização da oferta de dinheiro para uma suposta aplicação social  não é admissível numa sociedade civilizada, seria um desvio de finalidade, mais uma iniciativa urgente do MP Federal na investigação do período Lula/Dilma.

Esta operação, leitores, é o que de mais sórdido podia acontecer aos brasileiros. Uma atividade bancária assim exercida é crime de lesa pátria, ultrapassa as alturas e os absurdos de uma trampolinagem que impede que a saúde, a educação e a segurança, esteios de uma sociedade civilizada, sejam destinatários de um aporte de recursos exigíveis para uma administração regular.

Os barões das finanças, aqueles que prosperaram com o suor e o sacrifício dos trabalhadores continuam compondo a mesma casta que suga a seiva da nação há décadas, continuam nas antessalas dos poderosos e nunca são molestados formalmente, nem nas crises mais agudas que o povo suporta com galhardia. O que impressiona mais é o cinismo destes personagens da cena de mal feitos que sofre a administração pública, pois não se constrangem, sequer, de atravessar a rua para protagonizar solicitação desde jaez, que só merece recriminações e capitulação penal, nela incluída  o presidente e diretores presentes ao ato da concessão de recursos do país para o crescimento e multiplicação de fortunas pessoais.

Clama o povo pelas reformas. Contudo, a verdadeira reforma no organismo estatal brasileiro, essencial e indispensável ao futuro das próximas gerações não é de ordem patrimonial. É a reforma moral, esta que invade as consciências humanas e atropela, no nascedouro, o descaminho de uma vontade política nefasta ao país. A ausência de um voluntariado ético nas trincheiras de nossas forças cívicas, na defesa do bom caminho, constitui entravamento para estaquear pilares resistentes a plasmar nosso esforço para construir uma nação livre e poderosa.

 

 

 

 

Por José Maria Couto Moreira é advogado.

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