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Agronegócio Novidade

Etanol: Preços se recuperam, mas ficam entre os 5 menores em 11 anos

Em maio de 2009, o preço do hidratado atingiu o valor mínimo de R$ 0,6419/litro e o do anidro, de R$ 0,7426/l (valores deflacionados pelo IGP-M de novembro/10). Em 2010, os mínimos foram observados em junho, sendo de R$ 0,7535/l no caso do hidratado e de R$ 0,8654/l no do anidro – todos os valores são líquidos de impostos e de frete, referentes ao mercado paulista – dados do Cepea.

Comparando-se a média de preços dos meses de abril a novembro de 2010 com a do mesmo período de 2009, constata-se aumento de 7% para o hidratado e de 8,7% no caso do anidro, em termos reais, conforme dados do Cepea. Para o hidratado, as médias do período de abril a novembro foram de R$ 0,81543/l e de R$ 0,87278/l em 2009 e em 2010, respectivamente. O valor de R$ 0,87278/litro está entre as cinco menores médias dos últimos 11 anos (série deflacionada), apesar do aumento observado sobre o ano anterior. No caso do anidro, a média de 2010, de R$ 1,01553/l, também ficou entre as cinco menores médias dos últimos 11 anos.

No ano-safra 2010/11, 55% da cana da região Centro-Sul foi utilizada na fabricação de etanol, percentual ligeiramente inferior aos 56,3% de 2009/10 – posição até primeiro de dezembro divulgada pela Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar). Apesar da rentabilidade do açúcar ter sido, durante todo o ano-safra, superior à do etanol (independente do tipo), a alocação da cana entre os dois produtos mudou pouco em relação à prevista no início do ano-safra 2010/11 (56,7% para etanol).

Segundo a Unica, a produção de etanol anidro e hidratado cresceu 24,61 e 10,19%, respectivamente, em relação ao período correspondente do ano-safra anterior (abril a novembro). A produção total de etanol atingiu 24,72 milhões de m3, sendo que, deste montante, 17,51 milhões de m3 referem-se a hidratado e 7,21 milhões de m3 a anidro.

As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul, do início de abril ao final de novembro, somaram 17,75 milhões de m³ também segundo dados da Unica, o que representa diminuição de 3,86% no comparativo com o mesmo período do ano passado. Essa queda deveu-se, principalmente, ao menor volume exportado – redução de 40,42%. Só não foi maior porque houve aumento tanto do consumo de etanol anidro, puxado pelo crescimento das vendas de gasolina C, quanto do mercado de “outros fins”, incluindo o uso do produto na indústria petroquímica. Neste contexto, citam-se os casos do eteno e do polietileno verde, os quais têm sido cada vez mais olhados sob a ótica de sustentabilidade. A Unica estima que as vendas de etanol “outros fins” deve fechar a safra com crescimento superior a 50% relativamente ao último ano.

Do montante de etanol (total) direcionado ao mercado doméstico, 11,84 milhões de m3 referem-se ao hidratado e 7,21 milhões de m3 ao anidro. As exportações totalizaram apenas 1,5 milhão de m³.

Mostrando grande capacidade de gerenciamento da produção, as usinas, durante o correr da safra, desidrataram o hidratado, visando garantir regularidade no abastecimento no mercado de gasolina C. Segundo pesquisadores do Cepea, o incremento na produção e a queda nas exportações de etanol permitiram que um volume maior do produto fosse direcionado para o atendimento do mercado interno.

Segundo a Anfavea, no período de janeiro a novembro de 2010, as vendas de automóveis e comerciais leves no Brasil foram de 3,037 milhões de unidades, aumento de 7,71% em relação ao mesmo período de 2009; desse total, as de flex representaram 87%. Em 2009, no mesmo período, as vendas de flex representaram 89%. As vendas de flex aumentaram em 5,27%, relativamente ao ano de 2009, enquanto às de veículos movidos a gasolina aumentaram 25% e a de movidos a diesel, 30%. Em termos absolutos, as variações foram de 49.182 unidades a mais a gasolina, 36.694 a mais a diesel e acréscimo de 131.634 no total de veículos flex. A Unica estima, com dados da Anfavea, que a frota de flex representa atualmente cerca de 46% do total de veículos e comerciais leves.

Segundo dados da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), de abril a outubro de 2010 foram vendidos nos postos da região Centro-Sul 8,33 milhões de m3 de etanol hidratado. No mesmo período de 2009, haviam sido 8,77 milhões de m3, observando-se, assim, queda de 5%. Já no caso da gasolina C, foram comercializados, de abril a outubro, 11,25 milhões de m3 em 2009 e 12,7 milhões de m3 em 2010, aumento de 12,94%.

Quando se olham os dados das sub-regiões do Centro-Sul (Centro-Oeste, Sudeste e Sul) divulgados pela Agência, observa-se que houve aumento nas vendas de gasolina C e queda nas de etanol hidratado combustível em todas elas.

Por sua vez, focando-se a análise em estados do Centro-Sul, tem-se aumento de consumo de etanol hidratado no Paraná (20,5%), Goiás (13,6%) e Mato Grosso (6,9%), e queda em todos os demais estados (MG, SP, RJ, ES, MS, SC, RS) – os preços maiores neste ano, relativamente ao anterior, levaram à perda de competitividade do etanol frente à gasolina em alguns estados do Centro-Sul ao longo da safra. À medida que a frota flex cresce, também aumenta o grau de substituibilidade entre o combustível fóssil e o renovável.

Curiosamente, no estado de São Paulo, maior produtor nacional, houve uma pequena redução do consumo de etanol hidratado (-1%) relativamente ao ano anterior, considerando-se o período de abril a novembro. Isso ocorreu mesmo com o preço competitivo em relação ao da gasolina ao longo de toda a safra – toma-se como base o diferencial de rendimento de 70% – e de ter havido aumento da frota flex.

Diante desses dados, algumas questões são suscitadas: os maiores preços do etanol neste ano, relativamente ao passado, poderiam ter levado a um menor uso da mistura “rabo de galo”, motivando a queda do consumo de hidratado e aumento do consumo de gasolina C? Se isso ocorreu, o efeito é suficientemente grande para compensar o crescimento esperado em função do aumento da frota flex? Outros fatores poderiam estar contribuindo para a queda do consumo de etanol, como o aumento do uso do GNV (muito freqüente em táxis) pela queda de seu preço? Por último, questiona-se se o diferencial de rendimento da gasolina e etanol hidratado tido em consideração pelos proprietários dos carros flex na hora de abastecer é mesmo 70%.

O ano se encerra com recuperação dos preços para o segmento de etanol – no comparativo com os três anos-safra anteriores – e com perspectivas de que a variação sazonal continue diminuindo, o que reflete a reestruturação do setor em curso nos últimos anos. Com isso, deve ser garantida também a remuneração da atividade.

Em dezembro, o Indicador CEPEA/ESALQ mensal do anidro foi de R$ 1,2018/litro, ligeiro aumento de 1,4% sobre o de novembro. Para o hidratado, a média foi de R$ 1,0751/litro, alta de 7,4% frente ao período anterior.

Agronegócio Novidade

Mato Grosso inicia ano com colheita

A maior safra de soja da história de Mato Grosso, que pode chegar a 19 milhões de toneladas, segundo projeção da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja/MT), já começou a ser colhida em algumas regiões do Estado. Sapezal e Campos de Júlio, na região oeste, e Sorriso e Ipiranga, no médio norte, largaram na frente e iniciaram a colheita dos primeiros talhões do ciclo 2010/2011. O maior atraso este ano ficará por conta das regiões sul e leste, que iniciaram o plantio mais tarde devido à estiagem prolongada e só devem começar a colher a partir do próximo dia 20.
A soja que começou a ser colhida foi plantada com relativo atraso, no final de setembro e começo de outubro. “Plantamos no final de setembro e, apesar da falta de chuvas, estamos alcançando um bom rendimento no plantio das sementes superprecoce”, na casa de 48 sacas por hectare. “Não é a produtividade ideal, mas não é ruim, principalmente se levarmos em conta que foi plantada em um período de seca”, conta o produtor Moacir Ticianelli. Segundo ele, as perdas foram insignificantes e serão compensadas com ganho de preço e na produtividade da segunda safra.
De acordo com a Aprosoja/MT, a safra de soja superprecoce, plantada no final de setembro, representa entre 1% e 2% da área plantada, cerca 100 mil hectares. Já a área de precoce responde por 10% da área (620 mil hectares), a de ciclo normal 19% (1,17 milhão de hectares) e, semiprecoce, 70% (4,34 milhões de hectares). No total, foram plantados cerca de 6,2 milhões de hectares, com expectativa de colheita entre 18,7 milhões de toneladas e 19 milhões de toneladas. Na última safra foram colhidas 18,7 milhões de toneladas.
Carlos Fávaro, diretor administrativo da Aprosoja/MT, informou que a soja colhida agora dará lugar ao plantio da safrinha de algodão, no mês de janeiro. Ele prevê um período mais intenso de colheita entre os dias 20 de janeiro a 10 de fevereiro. O encerramento está previsto para o mês de março para os últimos talhões de soja plantados ainda em 2010.
Com lavouras em várias regiões do Estado, o grupo Scheffer dará largada esta semana à colheita de soja superprecoce. “Estamos nos preparando para iniciar a colheita nas regiões de Sapezal e Campos de Júlio”, informa Guilherme Scheffer. A previsão dele é concluir a colheita da soja superprecoce até o final deste mês e, o restante, em fevereiro.
Outras regiões que também já estão se preparando para a colheita são Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. “Também estamos nos preparando para colher a partir da próxima semana”, conta o agrônomo Fernando Neves.
Outras regiões, contudo, devem atrasar a colheita, refletindo os problemas de início da safra, quando o solo estava seco. É o caso de São José do Rio Claro, por exemplo, que só deve iniciar o trabalho em meados deste mês.
“Não temos ainda informações de produtores que já iniciaram o plantio em nossa região, inclusive em Nova Mutum e Lucas”, informa o agrônomo Agmar Lima, que presta assistência técnica a produtores do médio norte de Mato Grosso. Em Nova Mutum são 11 mil hectares de superprecoce plantados nesta safra e um total de 350 mil hectares plantadas no ciclo 10/11. Lima acredita que a colheita da soja de ciclo normal, plantada em outubro, deve começar em fevereiro.
Outra região que deverá atrasar o início da colheita é o sul-mato-grossense. Rondonópolis, Pedra Preta e Itiquira deverão começar a colher só após o dia 20, segundo informações de Sandro Becher, gerente da Guimarães Agrícolas, de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá).

A maior safra de soja da história de Mato Grosso, que pode chegar a 19 milhões de toneladas, segundo projeção da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja/MT), já começou a ser colhida em algumas regiões do Estado. Sapezal e Campos de Júlio, na região oeste, e Sorriso e Ipiranga, no médio norte, largaram na frente e iniciaram a colheita dos primeiros talhões do ciclo 2010/2011. O maior atraso este ano ficará por conta das regiões sul e leste, que iniciaram o plantio mais tarde devido à estiagem prolongada e só devem começar a colher a partir do próximo dia 20.
A soja que começou a ser colhida foi plantada com relativo atraso, no final de setembro e começo de outubro. “Plantamos no final de setembro e, apesar da falta de chuvas, estamos alcançando um bom rendimento no plantio das sementes superprecoce”, na casa de 48 sacas por hectare. “Não é a produtividade ideal, mas não é ruim, principalmente se levarmos em conta que foi plantada em um período de seca”, conta o produtor Moacir Ticianelli. Segundo ele, as perdas foram insignificantes e serão compensadas com ganho de preço e na produtividade da segunda safra.
De acordo com a Aprosoja/MT, a safra de soja superprecoce, plantada no final de setembro, representa entre 1% e 2% da área plantada, cerca 100 mil hectares. Já a área de precoce responde por 10% da área (620 mil hectares), a de ciclo normal 19% (1,17 milhão de hectares) e, semiprecoce, 70% (4,34 milhões de hectares). No total, foram plantados cerca de 6,2 milhões de hectares, com expectativa de colheita entre 18,7 milhões de toneladas e 19 milhões de toneladas. Na última safra foram colhidas 18,7 milhões de toneladas.
Carlos Fávaro, diretor administrativo da Aprosoja/MT, informou que a soja colhida agora dará lugar ao plantio da safrinha de algodão, no mês de janeiro. Ele prevê um período mais intenso de colheita entre os dias 20 de janeiro a 10 de fevereiro. O encerramento está previsto para o mês de março para os últimos talhões de soja plantados ainda em 2010.
Com lavouras em várias regiões do Estado, o grupo Scheffer dará largada esta semana à colheita de soja superprecoce. “Estamos nos preparando para iniciar a colheita nas regiões de Sapezal e Campos de Júlio”, informa Guilherme Scheffer. A previsão dele é concluir a colheita da soja superprecoce até o final deste mês e, o restante, em fevereiro.
Outras regiões que também já estão se preparando para a colheita são Lucas do Rio Verde e Nova Mutum. “Também estamos nos preparando para colher a partir da próxima semana”, conta o agrônomo Fernando Neves.
Outras regiões, contudo, devem atrasar a colheita, refletindo os problemas de início da safra, quando o solo estava seco. É o caso de São José do Rio Claro, por exemplo, que só deve iniciar o trabalho em meados deste mês.
“Não temos ainda informações de produtores que já iniciaram o plantio em nossa região, inclusive em Nova Mutum e Lucas”, informa o agrônomo Agmar Lima, que presta assistência técnica a produtores do médio norte de Mato Grosso. Em Nova Mutum são 11 mil hectares de superprecoce plantados nesta safra e um total de 350 mil hectares plantadas no ciclo 10/11. Lima acredita que a colheita da soja de ciclo normal, plantada em outubro, deve começar em fevereiro.
Outra região que deverá atrasar o início da colheita é o sul-mato-grossense. Rondonópolis, Pedra Preta e Itiquira deverão começar a colher só após o dia 20, segundo informações de Sandro Becher, gerente da Guimarães Agrícolas, de Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá).

Agronegócio

Agronegócio sustentou o superávit comercial pelo 10º ano seguido

Desde 2001, quando o saldo da balança voltou a ficar positivo, os embarques do setor vêm crescendo a ponto de compensar com folga os déficits dos demais setores.

Depois da queda do superávit registrada em 2009 -de 9,82% no agronegócio e de 23,08% no total nacional-, os embarques de produtos do campo voltaram a crescer em 2010. A tendência é que o recorde de 2008, a saldo de US$ 59,99 bilhões, tenha sido superado.

O agronegócio funciona como âncora da balança comercial de duas formas: revertendo índices negativos ou compondo a maior parcela do saldo positivo. De acordo com os números dos últimos dez anos, apenas em 2005 e 2006 o superávit do agronegócio foi menor do que o superávit total do Brasil. Mesmo nesses dois anos, o setor foi responsável por 85,7% e 92,1% do saldo da balança comercial, respectivamente.

Nos outros oito anos desta década, o resultado do setor foi maior, o que significa que, se as importações e as exportações se igualassem, o país voltaria a enfrentar déficit, como ocorreu por seis anos consecutivos de 1995 a 2000. Em 2001, o saldo do agronegócio foi sete vezes maior que o nacional, numa diferença de US$ 2,69 para US$ 19,06 bilhões.

As importações do agronegócio também são recordes neste ano. Houve ampliação no saldo de cereais, farinhas e preparações (10,7%) e no de produtos florestais (64,1%) em relação a 2009. Entre os produtos do setor mais importados estão trigo, papel e pescado. Com gasto de US$ 12,05 bilhões até novembro, o agronegócio está importando 35,6% mais este ano. Os demais setores ampliaram a compras no exterior em 45,6%, atingindo US$ 154,02 bilhões. O resultado é que as importações totais passam de US$ 166 bilhões, valor 43,9% acima do registrado na mesma época do ano passado pelo País.

Para o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, os números mostram que, mesmo com o real valorizado, “o agronegócio vai bater novo recorde”. A previsão do Mapa é de resultado ainda melhor em 2011, com a ampliação do Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP) de R$ 173 bilhões para R$ 185 bilhões.

Para a presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), senadora a Kátia Abreu (DEM-TO), o agronegócio está retomando a linha de crescimento interrompida logo após os recordes de 2008.