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Arroz: Início de um novo ciclo

O arroz é o segundo alimento mais consumido no mundo e seu cultivo é tão antigo quanto à própria civilização. Muitos autores acreditam que ele seja originário da Ásia (China) e as primeiras culturas iniciadas há sete mil anos. No Brasil, foi introduzido em 1.530, no Rio Grande do Sul, e, em Mato Grosso, por volta de 1940 em roça de toco e, na década de 70, agricultura mecanizada. Em sua época áurea, o arroz chegou a empregar mais de 3 mil pessoas só nas industrias de beneficiamento, sendo uma das principais culturas da pauta do agronegócio.

Mas hoje a produção desse cereal passa por um momento crítico em Mato Grosso, que já foi o segundo maior produtor brasileiro, chegando a produzir mais de 2 milhões de toneladas, e atualmente está em terceiro lugar, com produção estimada de 803 mil toneladas e área plantada de 286 mil hectares na safra 2009/2010, segundo a Conab (Companhia Nacional do Abastecimento).

Com a queda da produção nos últimos anos – motivada pelos baixos preços e, principalmente, pelas restrições ambientais que vetaram a abertura de áreas novas para o cultivo do cereal, provocando forte desestímulo nos produtores – o arroz entrou em declínio e passou a ser uma commoiditie sem muita importância na pauta do agronegócio mato-grossense.

“Mas isso não quer dizer que o arroz esteja com os dias contatos em Mato Grosso”, garante o presidente do Sindicato das Indústrias de Beneficiamento do Arroz no Estado, Joel Gonçalves Filho.

Pelo contrário, o que se espera a partir de agora, com a descoberta de novas variedades adaptadas às terras velhas e degradadas, é uma nova arrancada da cultura no Estado.

“Falamos no início de um novo ciclo”, preconiza o produtor de sementes e ex-presidente do Sindicato dos Produtores de Arroz do Estado, Ângelo Maronezzi. Ele aponta a redução dos estoques mundiais de arroz e os baixos preços da soja no mercado internacional como fatores de estímulo à retomada da atividade em Mato Grosso. “Muitos vão abandonar a soja e migrar para o arroz”.

Na avaliação dos produtores, a pressão ambiental contra os produtores de arroz decretou o retrocesso do plantio nos últimos anos. “Não tínhamos variedades para semear em terras velhas e fracas, por isso a atividade deixou de ser atrativa em nosso Estado”, conta Antônio Galvan, presidente do Sindicato Rural de Sinop. A partir de 2007, novas variedades surgiram no mercado, com boa produtividade e tolerância ao solo degradado.

“O arroz sempre foi uma cultura de primeiro ano em terras novas. Plantava-se primeiro o arroz e, no ano seguinte, a área era usada para o plantio de soja e outras culturas, como o algodão e milho. Com a proibição de abrir novas áreas, o arroz perdeu espaço e parou no tempo”.

Galvan acredita que, com as variedades que estão sendo lançadas no mercado, haverá uma retomada gradual da cultura. “Novos materiais genéticos estão surgindo no mercado, adaptados às terras velhas. Não acredito que a produção volte aos patamares de 2004, com 2 milhões de toneladas e 550 mil hectares. Mas haverá uma recuperação e já vizualizamos um novo cenário para o arroz mato-grossense nos próximos anos”.

Com a introdução de novos materiais genéticos, a quebra da produção mundial e os baixos preços da soja em Chicago, o arroz poderá voltar a ocupar um lugar de destaque na balança comercial do Estado. “Prevemos um futuro brilhante e o início de um novo ciclo em Mato Grosso”, afirma Maronezzi.

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Agronegócio enfrenta falta de mão de obra

Mas o que aparentemente seria algo positivo traz à tona outra realidade: a falta de mão de obra especializada. Encontrar um profissional para determinadas funções tem- se tornado uma verdadeira dor de cabeça para os produtores rurais. Atualmente, existem milhares de vagas de empregos a serem preenchidas no campo nos mais variados segmentos, mas a falta de qualificação dos trabalhadores está gerando uma situação inusitada, com o desemprego crescente e a oferta de vagas em ascensão.

Para o presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Élio Neves, “há uma carência profunda nesse sentido, porque vivemos uma espécie de apagão da qualificação profissional.” “O Brasil sempre teve política de qualificação e requalificação profissional. Mas infelizmente essas políticas não deram conta de preparar nem trabalhadores, nem empresários para essas mudanças de paradigmas que estamos vivendo, principalmente na agricultura”, disse.

Para minimizar a situação, entidades, empresas e o próprio governo federal estão desenvolvendo projetos de elevação de nível escolar e qualificação dos trabalhadores no campo. Mas os números ainda não incipientes. A própria Feraesp, em parceria com a Unica, planeja formar aproximadamente 7 mil trabalhadores para atuarem nas usinas de álcool e açúcar ou em atividades que darão suporte ao setor, como produção de alimentos, produção de uniformes, entre outros.

Pelos cálculos da Feraesp, em conjunto com a União da Indústria Canavieira (Única), que representa as usinas de álcool e açúcar, o setor sucroalcooleiro possui atualmente cerca de 200 mil trabalhadores no corte da cana. Uma função que está com seus dias contados. Atualmente as usinas têm pedidos de 1 mil máquinas colheitadeiras de cana junto às fábricas. Quando essas unidades entrarem em operação, Neves acredita que 100 mil trabalhadores perderão o emprego. A situação fica ainda mais grave se considerarmos o protocolo de intenções assinado entre o Governo do Estado de São Paulo e as entidades que representam os usineiros, que prevê o fim da queima da palha da cana para 2014, em áreas mecanizáveis, e em 2017, em áreas não mecanizáveis.

Mas Neves lembra que o problema não se resume ao setor sucroalcooleiro. “Há uma carência enorme de mão de obra especializada, nos mais diferentes setores da agricultura. Hoje falta motorista para dirigir caminhões modernos, faltam operadores de máquinas agrícolas, tratoristas, mecânicos eletricistas, quer dizer, o campo não é mais um lugar para trabalho manual”, analisou. “A informática, as comunicações todo o processo de produção agrícola está diretamente ligado a esses paradigmas da informática. Contudo, seria necessário que os trabalhadores hoje estivessem em outro patamar.”

Outro problema sério, segundo Neves, é o nível de escolaridade no campo. “Nós convivemos com nível de analfabetismo muito alto; 70% dos trabalhadores rurais são analfabetos, ou são analfabetos funcionais. Se compararmos a capacidade efetiva de leitura, interpretação, aí chegaremos a somente 10% que têm capacidades e discernimento para interpretação concreta para determinadas situações, que envolvem este momento que estamos atravessando”, calculou. “Então este é o quarto desafio: promover alfabetização de qualidade e ao mesmo tempo em massa, promover elevação de escolaridade, e juntamente com isso propor aos trabalhadores especialização em algumas áreas mais carentes.”

Portanto, o campo hoje tem mão de obra sobrando, tem oferta de trabalho sobrando e um abismo no meio que foi provocado pela ausência de investimento real nos processos educacionais. Recentemente o governo federal assinou com a Unica e as entidades de trabalhadores o “Plano Nacional de Qualificação do setor canavieiro” que vai qualificar 25 mil trabalhadores em 2011.

Já foi realizado o processo de licitação para todos os estados que têm lavoura canavieira, para 12,600 vagas. O restante deve ser definido ainda no primeiro semestre de 2011. Um projeto com orçamento de R$ 20 milhões.

Outra iniciativa, segundo o presidente da Associação dos Produtores de Soja e

Milho de Mato Grosso (Aprosoja) , Glauber Silveira da Silva, é a negociação que está acontecendo com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) para a criação de centros de treinamento voltados para a qualificação do homem do campo, “o que pode vir a melhorar a situação da mão de obra rural”. “Atualmente existem iniciativas regionais, com oferta de cursos em alguns municípios. Mas isso não atende a necessidade do setor como um todo”, disse. Para Glauber, essas unidades de ensino devem ser criadas em breve para atender a demanda crescente por trabalhadores qualificados em todo o Brasil.

Para a presidente da Confederação Nacional da Agricultura, Kátia Abreu, a situação é grave, e a entidade pretende fazer um estudo em 2011 para levantar a real situação da carência de mão de obra no campo. O estudo sobre o “apagão de mão de obra no campo” medirá a qualidade atual da mão de obra e indicará o nível de estudo “da porteira para dentro”, conforme Kátia. “Formamos um milhão de pessoas por ano, mas não chega nem perto do necessário. Queremos medir a qualidade atual da mão de obra”, disse a ruralista. “Precisamos saber o que precisa ser feito para melhorar o nível da mão de obra nas fazendas”, completou Kátia Abreu. A presidente da CNA disse que vai propor à Confederação Nacional da Indústria (CNI) uma parceria para avaliar, também, o nível de capacitação nas agroindústrias.

Mas não é apenas mão de obra especializada que falta, segundo o presidente do Conselho Nacional do Café, Gilson Ximenes. Para ele, a agricultura do centro-sul do País não teria como se desenvolver sem a migração de trabalhadores no período de safra. Pelos seus cálculos, somente o café emprega 800 mil pessoas de outros estados na colheita em São Paulo, Minas e Paraná. Já a laranja, que tem sua produção concentrada em São Paulo, conta com cerca de 15 mil trabalhadores do norte e do nordeste. “Não há mão de obra local suficiente porque muitas pessoas preferem se arriscar na cidade”, lembrou.

Agronegócio

Carne para os EUA

As exportações de carne bovina termoprocessada para os Estados Unidos serão retomadas nesta segunda-feira, 27 de dezembro. A decisão de autorizar as vendas para o mercado norte-americano foi do Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar (FSIS, sigla em inglês) dos Estados Unidos, que constatou a eficiência dos planos de controle do governo e das empresas para garantir a qualidade da carne.

O ministro da Agricultura, Wagner Rossi, considerou a reabertura das exportações de carne ao mercado norte-americano uma vitória da agropecuária brasileira. “Trata-se de um reconhecimento da qualidade dos nossos produtos, que certamente terá impacto na conquista de novos mercados.”

O diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal do Ministério da Agricultura, Nelmon Costa, disse que os norte-americanos verificaram a preocupação do Brasil em escolher os fornecedores e o cuidado dos produtores rurais em respeitar o prazo de carência da aplicação da ivermectina (vermífugo) até o abate dos animais.

O governo brasileiro decidiu, também, adotar a mesma metodologia aplicada pelos norte-americanos para avaliar o nível de ivermectina, a partir do exame no músculo do animal. “Já fizemos esse procedimento nas últimas análises de resíduo do medicamento em 460 amostras. Em nenhuma delas foi violado o nível de ivermectina permitido pelos Estados Unidos, de 10 partes por bilhão”, enfatiza Costa. A princípio, serão liberados 12 frigoríficos localizados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo.

A última missão do governo norte-americano esteve no Brasil no período de 31 de agosto a 22 de setembro de 2010. Na ocasião, os técnicos visitaram frigoríficos exportadores de carne bovina termoprocessada localizados em Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e São Paulo.

Exportações – As exportações de carne bovina termoprocessada estavam embargadas desde maio deste ano, devido à presença do vermífugo acima dos níveis considerados toleráveis pelos Estados Unidos. Em 2009, as vendas do produto para o mercado norte-americano renderam US$ 223,1 milhões, o que corresponde a 43,2 mil toneladas.