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Agronegócio

Grande parte da malha ferroviária brasileira está subutilizada

O diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Bernardo Figueiredo, apresentou dados sobre a malha ferroviária brasileira de deixar qualquer um de boca aberta. Segundo ele, o Brasil tem hoje 28 mil quilômetros de ferrovia, grande parte dela está subutilizada. Ele apresenta os números da vergonha: 9 mil km sem uso e em outros 10 mil km só passa um trem por dia.

Países com economia pujante, com grande transporte de cargas e exportação vigorosa, contam com grandes extensões ferroviárias, mas que funcionam!  

Para um país que se pretende a oitava economia do mundo daqui a alguns anos, necessita ter malha ferroviária que anime os produtores a produzir cada vez mais sem medo de perder boa parte do lucro nas estradas da vida.

Construir essa malha ferroviária deverá ser prioridade logística número um do futuro governo Dilma.

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Disputa deve ser levada à OMC com rapidez

O etanol americano já possui poderosos estímulos. Um dos mais eficientes é a legislação para a produção e uso de energia renovável, a Renewable Fuel Standard (RFS), que prevê o consumo de quantidades crescentes de biocombustível até 2022. Atualmente, a gasolina americana tem 10% de etanol; e os produtores querem que o percentual chegue a 20%, mas isso depende da adaptação dos automóveis americanos. Lançada em 2006, a RFS tornou os Estados Unidos o maior produtor mundial de etanol, ultrapassando o Brasil.

Incentivo – Também para incentivar o uso de energias renováveis, o governo americano concede às refinarias um subsídio de US$ 0,45 por galão (3,8 litros) de etanol misturado à gasolina. Uma tarifa de US$ 0,54 sobre o galão do etanol importado evita que o subsídio vá para estrangeiros. Um dos maiores prejudicados é o Brasil, que produz etanol de cana-de-açúcar a custos mais baixos do que o americano, feito à base de milho. O Brasil é o maior exportador mundial de etanol. Os subsídios expirariam no fim do ano, se nada acontecesse. Isso era considerado bastante provável uma vez que custam por ano US$ 6 bilhões e os Estados Unidos estão sufocados por um déficit público crescente. Pesavam ainda contra o etanol americano as críticas ambientalistas, dadas as exigências de pesticidas e fertilizantes do milho; e seu impacto no preço dos alimentos.

Lobby – No entanto, a diplomacia e os produtores de etanol brasileiros confiaram demais no bom senso dos políticos americanos. Acabou prevalecendo o poder do lobby de uma indústria que é ativa apoiadora financeira de congressistas americanos, com contribuições calculadas em US$ 1 milhão nos últimos dois anos. Com o argumento de que o fim do subsídio e da tarifa de importação ameaçaria milhares de empregos, a indústria de etanol americana conseguiu manter por mais um ano suas regalias, em uma medida incluída de última hora em um pacote destinado a um assunto totalmente diferente, a prorrogação dos cortes de impostos feitos no governo anterior de George W. Bush, medida considerada importante pelo presidente Barack Obama para tentar reanimar a economia.

Negociação – Nos últimos anos, os diplomatas e produtores brasileiros de etanol tentaram negociar com os americanos uma mudança nas regras. O Brasil deixou de subsidiar a produção de etanol há cerca de dez anos e eliminou a tarifa de importação no início deste ano. Mas as tentativas de negociação e manifestações de boa vontade não foram bem-sucedidas. A saída agora é apelar para a OMC. A experiência recente do Brasil junto a esse organismo mostra que são boas as chances de uma vitória. No ano passado, o Brasil foi autorizado a retaliar os Estados Unidos por subsídios ao algodão. O processo começou em setembro de 2002; os subsídios foram considerados ilegais em 2005. Houve painéis de discussão, apelação e arbitragem até que, finalmente, em novembro de 2009, o Brasil foi formalmente autorizado a aplicar as contramedidas. Durante esse período, não houve revisão satisfatória dos incentivos condenados da lei agrícola dos Estados Unidos, que só cedeu após o sinal verde para as retaliações, ainda assim com relutância.

Laranja – Nesta semana, o Brasil ganhou outra causa contra os Estados Unidos na OMC, desta vez envolvendo o suco de laranja. A decisão dos árbitros ainda é preliminar e sujeita a recursos, mas considera ilegal o método usado pelos Estados Unidos para sobretaxar os exportadores brasileiros de suco de laranja sob acusação de dumping. O processo já dura 15 meses e deve chegar a um final apenas no segundo semestre de 2011. Chamado de “zeroing”, ou zeragem, o método para apurar se os preços praticados por fornecedores estrangeiros estão abaixo do mercado já foi questionado no caso de outros produtos, como siderúrgicos, e resultaram em condenações aos Estados Unidos em disputas com o Japão e a União Europeia. Não vale a pena esperar mais um ano no caso do etanol, acreditando que o subsídio eventualmente expire, nem subestimar o poder do lobby americano. Até mesmo porque as discussões no âmbito da OMC costumam ser bastante demoradas.

Agronegócio

Depois do boi, sobe o preço do frango

Às vésperas de preparar a ceia das festas de fim de ano, o consumidor terá poucas opções para escapar da alta de preços da carne bovina. A disparada da arroba do boi gordo, que começou em junho, arrastou as cotações do frango e dos suínos, porque são as carnes substitutas.

Os preços de frangos e suínos no atacado subiram 11,16% e 6,03%, respectivamente, na segunda quadrissemana deste mês, aponta o Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista, apurado pelo Instituto de Economia Agrícola. Esse resultado indica tendência de alta dos preços ao consumidor do frango e do suíno.

De 20 produtos pesquisados, o preço do frango liderou o ranking de alta e o da carne suína ficou na terceira posição. Já o preço da arroba do boi, que atingiu R$ 105,32 na primeira quadrissemana, praticamente ficou estável na última apuração.

“Com o grande poder de compra que existe hoje no mercado, com o pagamento do 13.º salário e aumento da massa de salários, os preços da carne ao consumidor devem começar a recuar só no ano que vem”, prevê o técnico responsável pelo índice, Danton Bini. Com o começo das chuvas e a redução dos custos para engordar o gado, a tendência é de preços menores do boi gordo.

Apesar de a arroba ter atingido níveis recordes, com valorização de 43,56% em um ano e de 28,32% em seis meses, os produtores reclamam que a boa cotação não é repassada para o criador. Sem margem para repor as matrizes que foram abatidas no período de crise, entre 2006 e 2008, o pecuarista mantém o plantel reduzido.

O preço alto, porém, pode afugentar o consumidor. “Quem quiser comer carne de primeira, vai ter de pagar o preço de bacalhau”, afirma o pecuarista José Lopez Fernandez Neto, de Itapeva, sudoeste paulista.

Tradicional criador de pardo suíço, Fernandez Neto calcula que, com o preço atual, o pecuarista que produz 100 bezerros por ano consegue uma renda líquida mensal de apenas R$ 700 por mês, “praticamente um salário mínimo”.

Ele conta que, na crise, muitos criadores arrendaram os pastos para o plantio da cana-de-açúcar ou para a formação de floresta de eucaliptos, atividades mais lucrativas e de menor risco. “Boi é produto de ciclo longo, pois o bezerro leva nove meses para nascer e outros nove para desmamar. Se colocar todos os custos, você vê que a renda está cada vez menor, por isso a carne de boa qualidade está ficando artigo de luxo.” Ele mesmo arrendou parte de sua fazenda para o plantio de grãos.

Manobra. O presidente da Associação de Criadores do Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vaccari, vê nos preços muito elevados uma manobra especulativa do comércio varejista. Nos últimos cinco anos, segundo ele, a arroba do boi teve uma recuperação de 67%. “A margem do atacado acompanhou essa evolução, mas a carne no varejo ficou 115% maior. Alguém está ficando com essa diferença.”

De acordo com Vaccari, o setor ainda vive o reflexo da crise recente, quando o pecuarista foi obrigado a reduzir o plantel de fêmeas para fazer caixa. Apenas em Mato Grosso, em 2007, foram abatidas 5 milhões de cabeças, incluindo as reprodutoras. “Os preços atuais são um reflexo desse abate.” A situação de escassez, segundo ele, vai continuar até 2013. “O rebanho vai crescer, mas o que tínhamos antes dificilmente será atingido. A natureza cobra seu preço”, afirma.