Category Archives: Artigos

Encontre artigos do Brasil inteiro sobre diversos temas que repercutem em nossa sociedade

Artigos

E a fundamentação da opinião?

Publicado por

Ignorar o crime e o seu autor é alimentar a impunidade. E isto contraria qualquer preceito democrático

Atribuem-se aos antigos gregos a invenção da política. Esta, desde então, se tornou uma atividade de todos os integrantes de uma comunidade, não de meia dúzia de pessoas.

Assim, a palavra, associada à ação, se fez necessária e importante. Imprescindível, portanto, na democracia. Regime que tem na liberdade um de seus mais eficientes esteios.

Pois, no Estado democrático e de direito, nenhum integrante pode ser impedido de se posicionar, de se expressar, de divulgar seu ponto de vista sobre quaisquer assuntos, em especial a respeito daqueles que se encontram na pauta das sessões do Parlamento, dos que estão sobre a mesa da política e na agenda da imprensa, a exemplo das prisões resultantes da Operação ‘Lava Jato‘.

Opinar sobre essas prisões está longe de ser uma prerrogativa tão somente dos juristas.

Até porque os detidos, segundo os noticiários, são acusados ou de pagamentos ou de recebimentos de propinas, com prejuízos enormes para os negócios públicos e para a maior empresa do país, a Petrobras.

Daí a necessidade do inteirar-se de tudo ou quase tudo, bem como o de ter-se uma leitura a respeito. Ainda que não seja um juízo abalizado pela ótica jurídica, e, na imensa maioria das vezes, não é mesmo.

Nem deveria sê-lo, uma vez que o tecido populacional não é no seu todo formado por bacharéis em Ciência Jurídica.

Por outro lado, um dado acontecimento deve ser analisado por pessoas variadas, letradas ou não, e por meio de uma maneira específica. O que promove as mais variadas leituras. E isso é o ideal, pois realça a pluralidade das opiniões. Sempre alicerçadas pela fundamentação, pela argumentação.

Isto significa dizer que não basta associar-se a uma referida causa, mas é preciso saber o porquê se está associando a ela.

Todo posicionamento, vale lembrar, carece de um porquê, de uma razão e de uma justificativa plausível, isto é, da argumentação.

Detalhe, contudo, ignorado por alguns brasileiros tidos de esquerda, tal como o cineasta Luiz Carlos Barreto que, juntamente com uma dezena de escritores, atores e cantores, saiu contra a prisão de José Dirceu.

O cineasta, por exemplo, argumenta que não se respeitou a história de vida e a trajetória política do ex-ministro no governo Lula da Silva.

Sempre se deve respeitar a vivência política e a história de vida de todas as pessoas, independentemente da posição política tomada.

O que não pode, nem deve é transformar a história de vida e a trajetória política em escudos, em guarda-chuvas para esconder o crime que alguém cometeu.

Ignorar o crime e o seu autor é alimentar a impunidade. E isto contraria qualquer preceito democrático e desmorona o esteio que sustenta o Estado de direito.

Por LOUREMBERGUE ALVES é professor universitário e analista político em Cuiabá.

Email – lou.alves@uol.com.br

Artigos

Escalada da violência sionista

Publicado por

O desafio: quem iria se opor a um Estado onde os judeus pudessem ‘viver em paz‘ e curar suas dolorosas feridas

O mundo, através de diferentes redes sociais e de mídia, tem assistido as agressões do governo de Israel contra o povo Palestino na Faixa de Gaza. No momento em que a comunidade internacional que luta pelos direitos humanos clama pela suspensão dos ataques de Israel ao povo Palestino.

Na pauta, inclusive rompimento de relações diplomáticas, a vista de fatos ostensivamente violentos e polêmicos. Infelizmente, meus ídolos da Tropicália, Gilberto Gil e Caetano Veloso, aceitaram e fizeram um show recentemente em Israel, data festiva na agenda do país.

Em que pese qualquer outro motivo ou estratégia, é preciso repudiar veementemente esta vertente, que passa por cima dos intensos bombardeios sobre a Faixa de Gaza.

Um emblemático show de artistas brasileiros, quando servem de braço político para justificar e minimizar a violência perpetrada. Dessa forma, nossos artistas estariam de braços com Benjamin Netanyahu, chefe do Partido Conservador Likud, além de Primeiro Ministro.

Na agenda, a continuidade da invasão terrestre ao território Palestino. Os bombardeios já fizeram grande quantidade de vítimas, a maioria civis, dentre elas, mulheres, idosos e crianças. Para melhor compreensão, uma síntese da chamada ‘questão Palestina‘, desde a criação do Estado de Israel em 1948.

O significado disto, é trágico para o povo Palestino. O sionismo é uma corrente político-ideológica que sustentou a criação de um ‘Estado Moderno‘. Com uma frágil e falsa justificativa, afirmaram juntarem Israel ‘um povo sem terra‘, o judeu, e uma terra sem povo, a Palestina.

Isto não é verdadeiro, e assim justificaram os crimes cruéis cometidos pelo sionismo para desterrar e apagar o povo Palestino da história. Durante as primeiras décadas do século XX neste território, de maioria absolutamente árabe, foram chegando migrantes judeus europeus. Em 1945, ao fim da Segunda Guerra Mundial, isto acentuou-se.

Os judeus europeus vinham de um sofrimento genocida por parte dos nazistas(holocausto), que causou horror ao mundo todo. Este justo sentimento foi usado pelos EUA e Inglaterra em seus interesses de dominação (imperialismo), e pelos sionistas em benefício próprio.

O desafio: quem iria se opor à criação de um Estado onde os judeus pudessem ‘viver em paz‘ e curar suas dolorosas feridas? Por trás disto, as grandes potencias querem o controle do Oriente Médio, detentores de 1/3 das reservas petrolíferas do mundo.

Isto é de um valor estratégico muito grande e caro para os EUA, que apoiou-se em aliados como a Arábia Saudita. Frente à necessidade de ter um sólido apoio na região, escolheram como base ideal o Estado de Israel. Apesar do aumento da imigração dos judeus, os árabes continuaram sendo maioria no território.

A população palestino-árabe na época era de 1.300.000 habitantes, enquanto os judeus eram de 600.000.

A ONU outorgou a Israel 52% do território, e aos palestinos 48%. Com o agravante de que no território outorgado a Israel, os Palestinos eram também a maioria, com 950.000 habitantes.

Aí está o núcleo do grande problema a resolver: o que fazer com o povo Palestino que vivia nesta terra? A solução sionista foi a limpeza étnica, expulsando os palestinos de suas casas e de suas terras.

Criaram-se organizações sionistas (como Ergun e Leh), no cenário de ataques aos núcleos palestinos, {assassinando homens, mulheres e crianças}, como na aldeia de DeirYassin, perto de Jerusalém.

Foram 6 meses ininterruptos de violência, sob o beneplácito e apoio de grandes potencias (aí incluído o stalinismo), só ficando 138.000 palestinos no ‘território israelense’.

O resto já havia sido expulso pela força, partindo para o exílio em países árabes, especialmente Jordânia, Líbano e Síria. Ou, para regiões distantes como os EUA e países da América Latina e do Sul.

Assim, esse povo ficou dividido em três áreas: dentro das fronteiras de Israel, em Gaza e Cisjordânia, e os que partiram para o exílio. Eis aí a tragédia (Nakba) vivida por este povo, que luta pelo direito de recuperar seu histórico território.

Assim, a atitude de Gilberto Gil e Caetano Veloso destoa, aliás, frontalmente de suas histórias identitária no tempo de exceção aqui no Brasil. Inclusive na época da ditadura civil/militar, autoexilaram-se em Londres. Independentemente do público, um show artístico nestas condições, tornou-se braço de um ato político.

A cultura tem mais a ver com espaços de solidariedade e resistência! Não com a barbárie.

WALDIR BERTÚLIO é professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).  waldir.bertulio@bol.com.br

Artigos

Economia e momento brasileiro

Publicado por

Ganhar eleição a qualquer custo, levando o país à beira do precipício, não pode ser o caminho

Durante um bom tempo o exterior olhou para o Brasil com certo encanto. Lembra da criativa foto na capa da revista The Economist do Cristo Redentor como um foguete se lançando no ar?

Era gente saindo da miséria, nova classe média, responsabilidade fiscal, estabilidade econômica e política, liberdade de imprensa. Agora o exterior volta a olhar enviesado para o Brasil. A mesma revista já publicou um Cristo despencando.

Dói tudo isso, é que olham a América Latina com sua cultura ibero-católica como incompetente, o Brasil parecia que ia escapar desse enfoque. Já éramos apontados como exemplos para a região.

Não se aproveitou o momento da estabilidade e boom econômico no Brasil e no exterior para avançar em reformas. Investiu-se no consumo como se isso fosse a grande saída.

Foram acertadas as ações de incentivo ao consumo, chamada de medidas anticíclicas, para enfrentar os efeitos da crise de 2008 que nasceu no setor imobiliário nos EUA. Deu certo, em 2010 o PIB cresceu mais de 7%.

O governo Dilma, ainda com cacife político, poderia seguir outro caminho, preferiu o anterior. Se esse fosse o único correto outros países mais sabidos já teriam entrado por aí.

Além de incentivar um eterno consumo pensando na próxima eleição, o governo aumentou os benefícios sociais.

A carga tributária que era de 25% do PIB em 1991 explodiu para 34%. Sempre se precisa de mais dinheiro para cobrir crescentes gastos, para agradar a maioria e ter seu voto na eleição vindoura.

Se alguém falava contra era pessimista, torcia contra o Brasil. Ou também se culpava o exterior e a falta de chuva.

Fazia-se ou falava-se qualquer coisa pensando na próxima eleição.

Fazer reformas em momento de alta na economia, em que o Congresso fica com o presidente, seria a saída.

Fazer reformas agora, com presidente sem popularidade e congressistas querendo pular fora do barco, é impossível.

O grande momento seria aquele do Lula. Era a hora de enfrentar reformas. Mas Lula não gosta de perder popularidade.

Alguém se lembra de alguma reforma no governo dele? Desagradar eleitor não faz parte da cartilha do ex-presidente.

Deve ter levado em conta a bronca dos aposentados com a mexida na previdência que fez FHC.

Lula, mesmo sabendo que tinha que aprofundar esta e outras reformas, não o fez. O que importava era ganhar sempre eleições.

Frei Beto, homem da esquerda, diz que os governos do PT se preocuparam sempre com o curto prazo (eleição no horizonte, claro). Que não investiu em assuntos mais estruturantes e de longo prazo como educação, saúde e transporte público.

Ganhar eleição a qualquer custo, seja que partido for, levando o país à beira do precipício, não pode ser o caminho.

A irresponsabilidade fiscal, como ocorreu agora, é que faz o exterior manter a crença de que a América Latina não tem jeito, parece que nem mesmo num país grandão que mostrava que abriria o caminho para outros da região.

ALFREDO DA MOTA MENEZES é historiador e analista político em Cuiabá,
pox@terra.com.br
www.alfredomenezes.com