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Por que a Globo foi rebaixada?

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Na terça 28, o Globo deu mais uma de suas manchetes contra Dilma.

Era mais ou menos isso: “Agora Dilma culpa a Lava Jato pela crise econômica”.

É que Dilma dissera que a Lava Jato estava cobrando um preço sobre a economia do país, com o cerco prolongado – e para muitos exagerado – a grandes empresas nacionais.

Tudo isso posto, seria interessante saber como o Globo daria na manchete o rebaixamento de sua nota pela agência de avaliação S&P, uma das maiores referências para grandes investidores de todo o mundo. Bancos também consultam a S&P quando examinam o pedido de empréstimo de uma corporação para minimizar o risco de calote.

Tenho a convicção de que o Globo terceirizaria a culpa, no mesmo estilo que o jornal criticou tão brutalmente em Dilma.

“Instabilidade na economia brasileira faz nota da Globo baixar”: seria mais ou menos esta a manchete.

E seria a linha seguida pelos comentaristas econômicos da casa, de Míriam Leitão a Sardenberg.

A Globo foi vítima, portanto.

Tudo bem, não fosse isso um sensacional autoengano.

Não que a turbulência do momento na economia não possa ter tido algum peso. Mas o grande fator do rebaixamento está na própria Globo.

A Globo opera num setor – a mídia – que passa por um processo que vai além de transformação. Estamos diante de uma disrupção. Ou, para usar um célebre conceito de Schumpeter, presenciamos na mídia uma “destruição criativa”.

Morre um mundo, aquele em que a Globo parecia inexpugnável, e ergue-se outro em que a empresa é mais um na multidão.

A internet está fazendo com as companhias tradicionais de jornalismo o que os automóveis fizeram com as carruagens há pouco mais de cem anos.

Sabia-se, faz tempo, que a mídia impressa estava frita. Mas se imaginava que a televisão poderia escapar da internet. Não. Os sinais são claros de que o destino da tevê como a conhecemos – aberta ou paga – é o mesmo de jornais e revistas.

A internet está engolindo a televisão. Em seus tablets ou celulares, as pessoas vêm vídeos como querem, na hora em que querem – e sem precisar de emissoras de tevê.

A Reuters acaba de lançar um serviço de vídeo cujo slogan diz tudo: “O canal de notícias para quem não vê mais televisão”.

Bem-vindo ao Novo Mundo.

Nele, os protagonistas serão empresas como Netflix, e não Globo ou qualquer outra emissora.

Como esquecer um depoimento recente de Silvio Santos, ao vivo, no qual ele disse não ver televisão? SS afirmou que gasta seu tempo com a Netflix, e recomendou aos espectadores que fizessem o mesmo.

Quanto tempo até os anunciantes fazerem, no Brasil, o mesmo percurso dos consumidores e irem para a internet?

No Reino Unido, a internet em 2015 responderá por metade do bolo publicitário. No Brasil, o pedaço digital está ainda na casa dos 15%.

Todas as audiências da Globo, do jornalismo às novelas, despencam sob o impacto da internet.

O Jornal Nacional se esforça para não cair abaixo dos 20 pontos, e novelas em horário nobre, como Babilônia, descem a abismos jamais vistos na história da emissora.

O público se retirou, e quando os anunciantes fizerem o mesmo, o que afinal é inevitável, a Globo estará em apuros sérios, como é o caso, hoje, da Abril.

Na internet, a Globo jamais conseguirá reproduzir a dominância que tem na tevê – e muito menos os padrões multimilionários de receitas publicitárias.

Tudo isso pesou na avaliação da S&P.

A Globo tenderá a justificar seu rebaixamento colocando a culpa em Dilma, mas o problema está nela mesma.

Sobra a piada que a Globo usou contra Dilma.

“Dilma é culpada até pelo rebaixamento da Globo.”

Por Paulo Nogueira – Jornalista do DCM

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Opinião Econômica – A Alemanha deveria deixar o euro?

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Muito se falou sobre a possível saída da Grécia, mas alguns economistas levantam outra opção: a Alemanha deixar a moeda comum. Enquanto alguns aprovam a ideia, outros afirmam que ela seria catastrófica para a Europa.

Depois de toda a discussão sobre mais austeridade para Atenas, credores com medo de não receber de volta o que emprestaram para os gregos e temerosos de uma possível saída da Grécia da zona do euro, alguns economistas sugeriram que pode haver uma terceira via: a Alemanha deixar a moeda única europeia.

Segundo esse raciocínio, a Alemanha deveria deixar o euro e, assim, abrir caminho para que países do sul da Europa – Grécia, Itália, Espanha e talvez Portugal – possam estabilizar suas dívidas com uma moeda fortemente desvalorizada e finalmente pôr em ordem as suas economias.

O último a sugerir isso foi Ashoka Mody, da Universidade Princeton, nos EUA. Ele escreveu um artigo para a Bloomberg que, de forma sucinta, explica por que o Gerxit (saída da Alemanha) seria uma opção melhor que o Grexit (saída da Grécia).

“Algum tipo de reorganização da união monetária é praticamente inevitável ao longo dos próximos 25 ou 30 anos”, disse Mody à DW. “A única questão que surge nesse ponto é: qual é o caminho mais sensato, menos disruptivo, para se alcançar isso?”

Mody avalia que o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schäuble, confunde o problema da dívida grega com o problema que é a “experiência zona do euro”. “Schäuble parte da premissa de que, se a Grécia se for, a zona do euro vai funcionar perfeitamente bem com os membros que restaram, e que o problema não está nos fundamentos da zona do euro, mas é algo específico dos gregos, que não conseguem se adaptar à zona do euro”, explica Mody.

Ele reconhece que a Grécia tem um problema de endividamento, mas ressalta que a questão da dívida é algo à parte dos outros problemas que afligem a união monetária. “Se tudo o que acontecer é a Grécia deixar a zona do euro, a possibilidade de que um problema semelhante surja é quase uma certeza. O fato de que países tão distintos não podem ficar numa camisa de força monetária e fiscal não vai mudar.”

Mody, como tantos outros economistas e críticos da zona do euro, afirma que a Itália será o inevitável sucessor da Grécia no papel de criança-problema. “Não sabemos se a Itália algum dia estará em condições de pagar as suas dívidas. O processo de forçar países de condições, histórias e culturas tão diferentes para dentro de um molde não funciona.”

Mody diz que a maneira menos disruptiva da acabar com a crise seria a Alemanha voltar a adotar a sua moeda anterior, o marco alemão. “A Alemanha seria a que menos teria problemas em deixar o euro”, assegura.

A ideia de um Gerxit em vez de um Grexit não é nova. Ela remonta a 2012, quando o magnata americano George Soros publicou um post sobre como seria uma saída da Alemanha do euro e por que ela seria benéfica: a Alemanha teria uma moeda própria e forte, e países com economias mais fracas teriam condições de estabilizar a sua dívida com um euro muito mais fraco. Em resumo, os alemães seriam mais ricos, e os europeus do sul teriam uma chance de melhorar.

No mesmo dia em que Mody publicou sua análise na Bloomberg, Ben Bernanke, ex-presidente do Federal Reserve (o banco central americano), publicou um artigo de opinião no site do Brookings Institute, um influente think thank de Washington. Nele, ele argumenta que a Europa não está fazendo a sua parte para solucionar a crise da dívida grega.

Enquanto o desemprego na zona do euro subiu para 11% nos últimos anos, nos Estados Unidos ele está em 5,3%, o menor percentual em anos. Mesmo dentro da zona do euro há fortes diferenças: na Alemanha, a taxa de desemprego é inferior a 5%, enquanto no restante da zona do euro ela oscila em torno de 13%.

“A promessa associada ao euro era tanto elevar a prosperidade como apoiar a integração europeia”, escreve Bernanke. Só que isso não está acontecendo e não vai acontecer enquanto os países tiverem desempenhos econômicos tão díspares, destaca.

Os países do euro não têm somente desempenhos econômicos díspares, eles também têm condições econômicas totalmente diferentes, avaliam analistas. Por isso, afirma Mody, criar uma união monetária entre eles nunca foi uma decisão economicamente sensata. “A união foi formada sem muita reflexão, e o sofrimento era inevitável”, diz.

Se não houver uma grande vontade política para manter a zona do euro intacta, a ruptura é inevitável, avaliam especialistas. O país que menos sofreria com essa dolorosa separação, como Mody, Bernanke, Soros e muitos outros afirmam, é a Alemanha.

“Essa percepção permite pensar como seria o melhor equilíbrio para países diferentes”, diz Mody. “Esse equilíbrio poderia ser a existência de duas moedas, o euro no sul e o marco alemão no norte. Mas também é possível que haja 15 novas moedas nos próximos 30 anos”, comenta.

Um Desastre

Entretanto, especialistas como Iain Begg e John Ryan, ambos da London School of Economics, não têm dúvidas de que a saída da Alemanha da zona do euro seria um desastre. “Depois da criação da União Europeia, o euro foi a maior conquista da Alemanha no pós-Guerra”, disse Ryan à DW. “Do ponto de vista político, investiu-se muito nesse projeto. Deixar o euro enviaria um sinal ruim para a sustentabilidade da própria União Europeia”, avalia.

Além disso, o euro é uma grande conquista geopolítica, e a Europa é vista hoje como um lugar seguro para investir e fazer negócios, observa: “A saída da Alemanha do euro seria um sinal destruidor, e não é concebível que a zona do euro pudesse sobreviver a isso.”

Se a Alemanha deixasse o euro, o mundo veria, numa sucessão rápida de acontecimentos, Holanda, Bélgica, Áustria e os países bálticos fazerem o mesmo, assegura Begg. O continente iria se partir ao meio, e tanto o norte como o sul iriam sofrer as consequências. Países como Irlanda, Eslováquia e Eslovênia ficariam perdidos.

A Alemanha fora do euro, somada à subsequente divisão do continente, teria fortes repercussões na integração europeia e mais ainda na restante zona do euro, avalia Begg. “Isso seria visto como catastrófico em Berlim.”

O marco alemão, ressuscitado, tornaria-se logo uma moeda forte, concordam os dois especialistas. O que soa como algo positivo teria, porém, um forte impacto negativo nas exportações alemãs, já que os produtos fabricados no país se tornariam mais caros.

“A saída da Grécia seria ruim para o euro, mas nada comparável à saída da Alemanha”, afirma Ryan. “Isso seria uma catástrofe para a Alemanha e para a zona do euro e colocaria em xeque toda a construção europeia.”

Por Maya E. Shwayder no DW

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O poder corrompe?

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Corrupção afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos ao diminuir os investimentos públicos

A corrupção é um mal internacional que ataca praticamente todos os governos, em maior ou menor grau. Como disse um jurista, é um “vício resultante da relação patrimonialista entre Estado e sociedade”.

A ONG Transparência Internacional realiza a cada ano o Índice de Percepção da Corrupção, abrangente estudo sobre a corrupção no mundo. A partir da opinião de diversos especialistas no tema são conferidas aos países notas que variam de 0 a 100.

Quanto mais próxima de zero for a pontuação, mais corrupto é o setor público daquele lugar. É muito raro um país alcançar o grau máximo. No último relatório (2014), a Dinamarca, país de elevada honestidade, obteve 92 pontos.

O Brasil está na outra ponta e os brasileiros bem sabem disso. Quem tiver paciência e pesquisar terá dificuldade para encontrar um governo que não tenha sido envolvido em escândalos e corrupção. Será que não há solução para esse problema? Não haverá meio eficaz de combate?

O que se pode afirmar é que um dos fatores é a falta de partidos com coerência, seriedade e responsabilidade pelos governos que elegem, nos três níveis: federal, estadual e municipal.

O PMDB, que nasceu como MDB, iniciou sua história partidária conquistando a opinião pública tanto pela aguerrida oposição ao governo militar quanto pela pregação e prática de princípios éticos.

Cresceu, tornou-se o maior partido nacional e chegou ao governo; aí perdeu os princípios, envolveu-se em corrupção e adotou a prática do fisiologismo. O poder contaminou o partido e manchou seu passado.

O PSDB surgiu de dissidência que não concordava com a postura e os deslizes do PMDB. As lideranças criaram então o novo partido que se apresentava como a “banda sadia”. Hoje, diversas administrações tucanas estão envolvidas em práticas de corrupção.

Por fim, o PT. Enquanto apenas oposição era a sigla politicamente mais pura, com robusta defesa da moralidade na administração pública. Conquistado o poder, esqueceu o ideário e o discurso.

A marca mais forte dessa degeneração é o vergonhoso escândalo do mensalão e mais recentemente o que envolve a Petrobras; porém não são os únicos, pois em governos estaduais e municipais igualmente ocorrem casos de corrupção.

Na administração federal há um agravante que gera clima favorável. Trocam-se os ministros, mas o segundo e o terceiro escalões continuam gravitando no sistema, são esses que conhecem os caminhos e exercem influência – para o bem ou para o mal.

Um ministro ou político novo que chega à “corte” se surpreende com o número desses que giram em torno do poder para “vender” experiências e revelar o caminho das pedras. Depois deles, os lobistas de variadas bitolas. Todos têm seus “métodos” de convencimento e persuasão para qualquer tipo de negócio.

Tudo isso promove giros de milhões e bilhões, basta atentar para o fato de o Distrito Federal ter o 7º maior PIB entre as unidades da federação, sem indústrias que gerem emprego, renda, produção e tributos. Tudo vive em função do governo e sua estrutura de pessoal, negócios e contratos.

A corrupção afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos ao diminuir os investimentos públicos na saúde, na educação, em infraestrutura, segurança, habitação, entre outros direitos essenciais à vida, e fere criminalmente a Constituição quando amplia a exclusão social e a desigualdade econômica.

LUIZ CARLOS BORGES DA SILVEIRA é empresário, médico e professor. Foi ministro da Saúde e deputado federal.