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CONFUSÃO – Crescimento e Desenvolvimento não são sinônimos. MT cresceu muito, mas não se desenvolveu

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A arena política é o lugar do posicionar-se. Inexiste alternativa diferente. Isto porque até o ficar calado diante de quaisquer situações não deixa de ser uma forma de manifestação.

Portanto de posicionamento, e este é uma ação política. Tarefas de todos os sujeitos. Não apenas dos parlamentares, os quais reconhecidamente foram eleitos e são pagos para tomar partido, o da sociedade.

O ficar em cima do muro está longe de ser ‘uma boa‘, especialmente diante da crise que paralisa o país e atinge diretamente o bolso dos brasileiros. A tribuna da Casa, contudo, parece não ser o lugar preferido dos senadores mato-grossenses.

Mas eles têm concedidos entrevistas e assinados textos que são veiculados na imprensa, blogs e sites.

O Wellington Fagundes, por exemplo, defendeu a ampliação dos trilhos da via férrea, aproveitando o momento do anúncio de suposta parceria entre o Brasil e a China, com vistas à implantação da Ferrovia Bioceânica, que beneficiaria o Estado.

Antes dele, aliás, o também republicano Blairo Maggi já havia chamado a atenção para o ‘Mato Grosso do desenvolvimento‘.

São manifestações dignas de considerações. Mais ainda por se tratarem de senadores – representantes do Estado mato-grossense.

Ambos, porém, pecaram no que tange aos conteúdos tratados. Talvez, por lhes faltarem dados suficientes.

Ficaram, então, presos à periferia, sem adentrarem aos cômodos onde se alojam os reais problemas, e isso os fizeram buscar velhas e surradas frases de efeito, mas sem substância alguma, cujo objetivo é um só: mostrarem-se preocupados e se autoproclamarem trabalhadores.

Um trecho do artigo do presidente do PR/MT é bastante claro nesse sentido: ‘(…) trabalhamos insistentemente para remover os gargalos que entravam a duplicação da BR-163 e pela melhoria do padrão das outras rodovias federais que cortam nosso Estado‘. Mato Grosso, então, ‘começa a sonhar um novo sonho, que – uma vez realizado – representará um ’salto logístico’ sem precedentes na sua história‘.

Já o ex-governador se valeu do ‘Mato Grosso‘, o ‘celeiro do Brasil‘, para logo em seguida repetir o fato de que o ‘Estado carece de infraestrutura‘, até para ‘permitir o seu contínuo crescimento‘. A partir daí, ele apresenta alguns números da economia e da população regional.

Números necessários como componentes do cenário descrito por ele, porém apresentados de uma forma que pudessem supervalorizar o período em que esteve à frente da chefia do Executivo estadual. Isto fica claro quando se depara com a seguinte frase: ‘Em 2010, quando deixei o governo, contabilizávamos 533 escolas estaduais, contra 57 em 1980‘.

Para o leitor desavisado, pode parecer – e é este o objetivo do senador, ‘vender uma boa imagem‘ – que a gestão Maggi foi extraordinária, pois fora a que mais construiu prédios escolares (o que não é verdadeiro).

A mesma estratégia foi utilizada para marcar a evolução da economia regional, sempre tendo o começo dos anos 1980 como baliza inicial e o ano de 2010, como final.

Estratégias condenáveis. Tanto que diminuem a importância dos textos assinados pelos senadores Blairo Maggi e Wellington Fagundes. Ambos, propositadamente, fizeram confusão com duas palavras: crescimento e desenvolvimento.

Estas não são sinônimas, nem residem em casas de parede-meia. Até porque o Estado de Mato Grosso cresceu muitíssimo nas últimas quatro décadas, mas não se desenvolveu.
Lourembergue Alves –  é professor universitário e articulista político em Cuiabá.
lou.alves@uol.com.br

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Clube do carimbo do HIV

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Infelizmente como infectologista tenho visto uma prática entre os jovens que merece um alerta.  infectados pelo vírus do HIV estão transmitindo propositalmente a doença, principalmente entre os homossexuais masculinos na faixa etária de 18 a 40 anos.

Eles são adeptos da  modalidade’ bareback’, na qual gays fazem sexo sem o uso do preservativo, ou  furam  a camisinha conscientes que são portadores do HIV formando o ‘clube do carimbo’.  A febre inconsequente cresceu tanto que criaram  blogs e  grupos onde eles compartilham técnicas de como fazer o passo a passo para ‘carimbar’ o parceiro(contaminá-lo) e ainda incentivam o sexo sem camisinha.

Os jovens usam além da balada em boates, em festas sigilosas em que acontece a roleta russa, as “conversion parties” em que entre os convidados existem os “bug chasers” (caçadores de vírus) e os gift givers” (presenteadores do vírus), que são os soropositivos dispostos a contaminar propositalmente ou com consentimento. Tudo em busca de uma adrenalina que não passa de uma ilusão. A juventude parece desconhecer os riscos  e a gravidade da doença e isso pode voltar a se tornar uma epidemia.

Sabemos que há vários tratamentos com coquetéis de remédios que garantem hoje uma sobrevida para o infectado soropositivo, mas não podemos esquecer que ser contaminado pelo HIV é para a vida inteira. Não tem cura. Portadores do vírus HIV estão morrendo mais de doenças como infarto, diabetes, acidente vascular cerebral  e câncer que são efeitos colaterais dos medicamentos.

Aos jovens vão o nosso alerta como profissionais de saúde que o efeito da adrenalina passa e ai vem a realidade com a discriminação, os efeitos colaterais dos medicamentos e em alguns casos, depressão e abandono por parte da própria família ou grupo social.

Os exames de HIV devem ser feitos rotineiramente como fazemos exames de sangue de controle como colesterol e glicose. E também quando se mantém uma relação sexual sem o uso do preservativo.

Não brinquemos com a nossa vida, a desperdiçando por modismos que ela é o bem mais precioso que o ser humano possui.

Luciano Ribeiro é médico infectologista do grupo Santa Rosa

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”A Recessão Está Apenas No Começo”

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A queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,2% no primeiro trimestre é apenas o início de uma recessão profunda que o País enfrentará neste ano e que poderá gerar uma retração de 1,5% a 2% em 2015

A queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 0,2% no primeiro trimestre é apenas o início de uma recessão profunda que o País enfrentará neste ano e que poderá gerar uma retração de 1,5% a 2% em 2015, afirma Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington. Ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, ela ponderou que o ajuste fiscal “necessário” mal começou e deve gerar efeitos contracionistas da atividade nos próximos meses. Ela estima que o PIB cairá 0,4% no segundo trimestre, em relação ao primeiro.
Na avaliação da economista, os investimentos não deverão decolar ainda no fim deste ano por causa de alguns elementos, com destaque para a crise política entre o Palácio do Planalto e o Congresso. “Veja o caso de votações importantes de medidas provisórias relativas ao ajuste fiscal. Muitos partidos são contra, inclusive o PT”, diz. “Se permanecer esse quadro, as empresas não têm um cenário estável para investir alguns anos à frente no Brasil.” A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como a sra. avaliou o resultado do PIB do primeiro trimestre?

Mais que a queda de 0,2%, na margem, é preciso destacar que ocorreu uma retração de 0,9% no acumulado em quatro trimestres ante os quatro trimestres anteriores. Isso dá uma dimensão da recessão que devemos enfrentar neste ano. Além de uma considerável retração da indústria, também ocorreu uma queda expressiva de serviços, o que explica em boa medida a deterioração no mercado de trabalho no começo deste ano. Em função da perspectiva negativa da economia para 2015, o consumo das famílias também foi bem afetado.

Qual deve ser o desempenho da economia no segundo trimestre e em todo o ano de 2015?

A recessão no Brasil está apenas no começo, e é bem provável que a contração do PIB entre abril e junho seja de 0,4% ante o primeiro trimestre, que já apresentou retração. O ajuste fiscal, que é uma política de correção necessária das contas públicas, ainda mal iniciou seus efeitos sobre o nível de atividade. Como não vejo recuperação da economia no segundo semestre, por causa de uma série de fatores, acredito que o País deverá registrar uma retração entre 1,5% e 2% neste ano.

As concessões públicas que o governo deverá anunciar no dia 9 de junho ajudarão a destravar os investimentos ainda neste ano?

Acho muito difícil. Primeiro, é preciso que elas sejam anunciadas para verificar quais os projetos que estarão no seu conjunto e suas condições, como taxa interna de retorno e clareza de regras. O ambiente econômico e sobretudo político no Brasil não deverá estimular um avanço da Formação Bruta de Capital Fixo ainda neste ano.

Como o ambiente político está influenciando as decisões de investimentos no País, além dos efeitos causados pela apuração da Operação Lava Jato?

Muitos empresários com quem converso, de empresas grandes e multinacionais, observam que há um imenso embate entre os poderes Legislativo e Executivo como não ocorria há muito tempo. E isso traz muitas incertezas, pois não há nenhuma perspectiva de acomodação ou harmonia no curto prazo. Veja o caso de votações importantes de medidas provisórias relativas ao ajuste fiscal proposto pelo governo. Muitos partidos são contra, inclusive o PT, como já mostraram diversos dos seus parlamentares na Câmara e no Senado. O PSDB faz oposição pela oposição, algo sem sentido, o que gerou a votação contrária ao fator previdenciário. Enquanto isso, o apoio do PMDB ao governo apenas ocorre para aproveitar vácuo de poder. A permanecer esse quadro, as empresas não têm um cenário estável para investir alguns anos à frente no Brasil.

Mas as atuais políticas fiscal e monetária não são atenuantes?

É verdade. Mas, embora essas duas áreas do governo tenham melhorado, são políticas de estabilização, apenas para correção de rumos errados adotados nos últimos anos pelo próprio Executivo, apesar de todo o esforço do ministro Joaquim Levy e da diretoria do Banco Central para reduzir a inflação. É preciso fazer mais para que o País saia da recessão e possa crescer o quanto precisa e merece.

E o que o governo deveria fazer para o crescimento voltar a ser sustentável no longo prazo?

Além de um bom avanço das concessões públicas em infraestrutura, é necessário atuar em algumas frentes. Uma delas é a simplificação tributária, com redução de burocracia e do excesso de licenças para que as empresas possam atuar no País. Além disso, é fundamental uma abertura comercial e maior integração com parceiros internacionais, o que inclusive vai elevar a absorção de tecnologias. No Brasil, quando se busca reduzir o emaranhado dos impostos, alguns setores são beneficiados por isenções tributárias, muitas vezes por questões políticas. E, para fazer frente a esses gastos, o governo acaba elevando impostos de importação. Essa lógica é negativa para elevar a competitividade do País.

A sra. defende uma revisão mais radical do papel do BNDES no desenvolvimento do País?

Certamente. O BNDES é uma instituição muito importante para o Brasil, mas sua atuação precisa ser revista rapidamente. Não é possível que 40% da sua carteira de investimentos seja destinada às dez maiores empresas que atuam no País. Defendo que o BNDES tenha um papel firme no apoio a concessões públicas para diminuir os riscos de projetos fundamentais em logística, transporte e energia, com maturação de algumas décadas. E também no papel de liberação de funding para esses projetos. Além disso, é necessário ter uma atuação muito mais firme de fomento à inovação. As pequenas e médias empresas deveriam ter um apoio mais expressivo, com um foco especial para as que têm maior potencial de expansão nos seus respectivos mercados, pois nelas serão gerados empregos de forma mais duradoura.

Como a sra. avalia o potencial do crescimento do País hoje?

Se forem adotadas algumas mudanças importantes, com avanço significativo das concessões em infraestrutura e ações relevantes no segmento tributário e melhora do ambiente de negócios, acredito que poderemos voltar a crescer 2% ao final de 2017. Para avançar mais, entre 3% e 3,5% ao ano a partir daquela data, serão necessárias mudanças estruturais muito mais profundas nas áreas que citei.

Monica Baumgarten de Bolle – Pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington

Fonte: Agência Estado

Data da Entrevista: “01/06/2015”