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Sobram vagas no mausoléu dos corruptos

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Um post de 3 de julho registrou que, ao contrário do que imaginam vários amigos da coluna, nem tudo está dominado. Ressalvei que é compreensível a sensação de impotência provocada pela impunidade institucionalizada, pela cumplicidade ativa ou passiva dos três Poderes, pela voracidade da aliança governista, pela pilhagem sistemática dos cofres públicos, pela mansidão bovina da maioria do eleitorado ─ enfim, pela paisagem política desoladora. Mas a frase que dá por consumado o triunfo dos fora-da-lei será apenas um verso derrotista enquanto existirem imprensa livre e milhões de brasileiros capazes de indignar-se com denúncias consistentes.

O texto se amparou no despejo de Antonio Palocci e no desbaratamento da quadrilha em ação no Ministério dos Transportes. Se dependesse de Dilma Rousseff e, sobretudo, de Lula, o reincidente incurável continuaria na Casa Civil. Depois de 20 dias de resistência, o Planalto teve de render-se. Em 3 de julho, Alfredo Nascimento ainda era ministro. Não teria perdido o emprego dias depois se os brasileiros honestos se dessem por satisfeitos com a demissão dos subordinados fora-da-lei.

Passados 45 dias, multiplicaram-se as evidências de que nem tudo está dominado. Além de Nascimento e seus gatunos, o mausoléu dos corruptos inaugurado por Palocci acolheu, em um mês e meio, o lobista homiziado no Ministério da Agricultura, o irmão de Romero Jucá que colecionava patifarias na Conab, o secretário-executivo do ministério e meia dúzia de defuntos de segunda classe. Nesta tarde, enfim, ali foram alojados os restos políticos de Wagner Rossi.

Não foi um enterro qualquer. O ex-ministro é mais que o primeiro figurão do PMDB incorporado ao jazigo. É o primeiro amigo de fé do vice-presidente Michel Temer abatido pela reação do país que presta. É a prova definitiva de que a opinião pública não vai respeitar imunidades partidárias.

Há uma semana, a presidente Dilma Rousseff replicou em dilmês a jornalistas interessados em saber se era para valer a faxina ensaiada no Ministério dos Transportes: “Não vamos abraçar a corrupção, mas não serei pautada pela mídia”, decolou o neurônio solitário. Dilma continua abraçando corruptos, comprovaram a discurseira falaciosa sobre algemas e fotos de topless, as declarações de apoio a Wagner Rossi e as notas de solidariedade a meliantes do PT. Mas não escapou de ser pautada não pela mídia, mas por fatos divulgados pela imprensa independente. Jornais e revistas informam. Quem pressiona são os brasileiros cansados de ladroagem.

“O barbudo tem de voltar”, lamuriou-se Alfredo Nascimento no discurso em que se despediu dos cofres do governo. Tradução: os prontuários demitidos sonham com o regresso do Padroeiro dos  Companheiros Bandidos. Para implodir o sonho do clube dos cafajestes, os brasileiros decentes devem exigir o prosseguimento da dedetização indesejada pelo Planalto. O alvo do momento é o Ministério do Turismo. É preciso levantar o diminuto tapete que encobre parcialmente o ministro Pedro Novais. Sobram vagas no jazigo dos assaltantes de cofres públicos.

Confiscar-lhes empregos e gazuas, convém lembrar, é só o começo. O mausoléu dos corruptos deve assinalar o quilômetro zero da estrada que termina na cadeia.

Por:Augusto Nunes – Veja

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O Capital esta matando o Capitalismo

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Minhas leituras de Marx são modestas, sempre preferi o Marx filÓsofo, mas, na Faculdade de Direito, tomamos conhecimento da obra de Adam Smith, a melhor que explica o capitalismo como produtor de riquezas. Havia em Smith um pressuposto ontológico, a natureza humana deseja sempre superar-se, e a ambição de produzir riquezas para si e para o mundo é uma das maiores superações da sentença inaugural: “viverás com o suor do rosto”.

O sistema capitalista, depois da revolução industrial mostrou-se o melhor para a produção de riquezas e o desenvolvimento das nações. Enquanto o comunismo buscava distribuir o que não sabia produzir, o capitalismo soube distribuir parcialmente o que soube produzir.

Mas isso foi perturbado pelo fenômeno inerente da ambição. Enquanto o capital foi utilizado como meio para estimular e possibilitar a produção, tudo bem, mas quando virou um fim em si mesmo, o capital gerando especulação, sem que necessitasse financiar a produção, mas apenas o consumo desordenado e o consumo dele próprio, o capital tornou-se um veneno. As crises recentes comprovam isso, mesmo para os mais simples observadores dos fatos. O capital está matando o capitalismo.

No primeiro susto, Obama buscou salvar o sistema financeiro, para evitar o pior. Agora, já percebeu que ele tem que salvar a economia americana e, por decorrência, a economia mundial. O Partido Republicano, encastelado nos “Fundamentals” que não fundamentam mais nada, está impedindo essa revisão da economia com a conseqüente regulamentação dos mercados financeiros.

As dezenas de artigos de economistas de todo o mundo fazem diagnósticos formais. Não explicam nada e não dão saída para nada. Todos têm medo de reconhecer que o capital está matando o capitalismo.

Por: Jorge da Cunha Lima – POETA, publicou “Ensaio Geral” Martins Editora, “Mão de Obra” Brasiliense, “Véspera de Aquarius” Paz e Terra, PROSADOR, fez “O Jovem K” romance, Siciliano, “Cultura Pública”artigos, Senac.

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Que tal um acordo com a bandidagem?

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A cena se repete em quase todos os capítulos das séries policiais da TV. Numa sala do tribunal, o promotor propõe ao bandido e seu advogado um acordo conveniente para ambas as partes. Se o personagem prestes a ser julgado assumir a autoria do crime, ou fizer revelações que incriminem delinquentes de patente superior, escapará de punições mais severas ou terá reduzido o tempo de cadeia.

O Brasil acaba de saber que, para os quadrilheiros federais e seus defensores, nada é tão terrível quanto algemas nos pulsos e fotos de topless nos jornais. O que espera o Ministério Público para colocar em prática o modelo americano? A multidão de assaltantes de cofres públicos, é verdade, não cabe num tribunal inteiro. Mas o doutor José Eduardo Cardozo poderá representá-los nas negociações. É ele o advogado de defesa de todos os bandidos de estimação.

Se os culpados confessarem tudo o que andaram fazendo e pagarem seus muitos pecados numa cela de cadeia, os brasileiros honestos toparão abrandar-lhes o sofrimento com duas concessões: as algemas de metal serão substituídas por argolas  fabricadas pelos índios do Xingu e todos os gatunos só poderão ser fotografados de terno e gravata.

É um acordo vantajoso para todos. Eles se livrarão do martírio. E nós nos livraremos deles.

Por:Augusto Nunes