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Crítica para quê?

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O que faz uma pessoa ler algo sobre a coisa que, talvez, menos a preocupe na vida, sua roupa? Esse questionamento é o desafio de quem reporta moda. O desafio de encontrar o contexto certo, de dar ao efêmero o gosto de perenidade. É a peleja de pôr algum alicerce crítico no que às vezes parece ser um grande edifício que não toca o chão.

Por que apontar e avaliar tendências, resenhar desfiles e discutir a funcionalidade das roupas, e não apenas dizer o que combina com o quê? Embora isso faça parte, não é o bastante. Precisamos de espaços de discussão e crítica de moda, que a validem e a legitimem, se quisermos tratar o assunto com seriedade, em meio a tanta coisa sem importância que o circunda.

E por que? O leitor se perguntaria ainda. Por causa da vasta influência que a moda exerce no cotidiano, no comportamento. O filósofo dinamarquês Lars Svendsen, defende que a moda desempenha um papel mais importante na cultura que as belas-artes. De fato, não nos vestimos influenciados por um quadro ou escultura, mas o fazemos para ficar igual a atriz da novela, um artista preferido, amigos ou mesmo para externar vontades íntimas. A questão que deve conduzir um indivíduo a leitura de moda deve ser, principalmente, sua visão do assunto como prática estética.

Isso significa entender que a crítica de moda tem o papel de despertar no leitor a visão ampla de como a realidade se aplica a si, no tocante ao vestuário. Dando um mergulho na dinâmica da aparência, que torna as pessoas agradáveis ou repugnantes, dependendo de como se vistam.

Mesmo quem diz que moda não tem importância possui seus códigos, e inconscientemente, reproduzem um padrão de vestimenta que lhes caracteriza e distingue, sendo assim, inseridos no propósito da moda de individualizar. A crítica de moda se mostra precisa para revela essa realidade, entre outras.

Para quem não tem o hábito de ler sobre moda, esse é o momento de atentar para a capacidade de se descobrir imageticamente. É um convite para entender que a moda “é uma das faces do artificialismo moderno, do empreendimento dos homens para se tornarem senhores de sua existência”, como bem disse Lipovetsky* em sua grande obra.

Fonte:Primeiraedição

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ARTIGO – Centro-Oeste, Mato Grosso! (1)

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Na semana que vem completo 35 anos morando em Mato Grosso e em fevereiro deste ano completei 50 anos que cheguei a Brasília, vindo de Minas, pra estudar. Esse é um ponto desta conversa que se inicia hoje. O segundo, foi o encontro de governadores do Centro-Oeste, em Cuiabá, no dia 1º de agosto. A discussão foi reforma tributária e a posição regional sobre as perdas e os interesses da região em se defender a voracidade arrecadadora de impostos do governo federal.

Entre essas datas, penso que para se compreender esse novo Centro-Oeste de 2011 que começa a articular uma voz coerente e consistente, seja preciso retornar um pouco na História. Afinal, não se pode compreender o mundo de agora sem que se entenda a trajetória já feita. Tampouco se compreenderá o mundo que vem aí, se o presente não estiver bem conhecido.

Assim, tomo a liberdade de voltar no tempo até a década de 1950, quando o presidente Juscelino Kubitschek se elegeu presidente em 1955 com a promessa de mudar a capital do Brasil do Rio de Janeiro para o Planalto Central. Naquele momento, o Brasil se resumia a três capitais de prestígio: Rio de Janeiro, Salvador e Recife. As demais eram meras cidades sem importância, incluindo São Paulo, contra quem os cariocas sacaneavam terrivelmente pelo caipirismo rural.

O presidente JK, quando planejou Brasília, disse num dos seus discursos: “Deste Planalto Central, desta solidão em que breve se transformará em cérebro das mais altas decisões nacionais, lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã do meu país e antevejo esta alvorada, com uma fé inquebrantável e uma confiança sem limites no seu grande destino”. A partir de um discurso simplório feito na isolada e pequena cidade de Jataí, no interior do sertão goiano, nascia inesperadamente a promessa que se concretizaria com a inauguração de Brasília, como capital do Brasil, em 21 de abril de 1960.

O plano filosófico de Brasília era um tanto profético. De um lado, as visões místicas do presidente JK, sua crença na terceira profecia de Dom Bosco, que previa em 1883, na Itália, sobre o Planalto central brasileiro: “…Eu enxergava nas vísceras das montanhas e nas profundas da planície. Tinha, sob os olhos, as riquezas incomparáveis dessas regiões, as quais, um dia, serão descobertas. Eu via numerosos minérios de metais preciosos, jazidas inesgotáveis de carvão de pedra, de depósitos de petróleo tão abundantes, como jamais se acharam noutros lugares. Mas não era tudo. Entre os graus 15 e 20, existia um seio de terra bastante largo e longo, que partia de um ponto onde se formava um lago. E então uma voz me disse, repetidamente: ‘Quando vierem escavar os minerais ocultos no meio destes montes, surgirá aqui a Terra da Promissão, fluente de leite e mel. Será uma riqueza inconcebível’.”

Aliás, a história de Brasília é toda marcada de grandes coincidências astronômicas e proféticas amplamente explorada numa série de livros de escritores brasilienses e em alguns desabafos de seus fundadores e projetistas como Lúcio Costa e Alberto Silva, fora o próprio JK. Argumentam-se reminiscências egípcias nos elementos da formatação de Brasília.

Para se compreender esse Centro-Oeste que hoje olha o Brasil de frente como o maior produtor de comida do mundo, recorro a uma visão do professor Mangabeira Unger, ex-ministro de Estratégias de Longo Prazo, no Governo Lula, proferida no encontro dos governadores em Cuiabá: “O Centro-Oeste é o farol de ideias, de luz e de conhecimentos do Brasil!”. O assunto continuará pelos próximos artigos. Espero a sua paciência…!

Onofre Ribeiro é jornalista em Cuiabá e secretário adjunto de Comunicação Social de Mato Grosso

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Ouro de tolo

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Como já dizia Raul Seixas eu devia estar alegre e satisfeito, de morar em Cuiabá e porque teremos um modal de transporte, só que como o mesmo Raul, não posso ficar sentado esperando a morte, ou melhor o transporte chegar.

Se na semana passada a situação podia ser retratada pelo “samba do crioulo doido” nessa semana, haja conjecturas para avaliar a loucura plena que grassou nas últimas “24 horas”.

Técnicos, “in off” afirmam que o veto ao VLT se volta para o real custo de implantação (obras de engenharia – aquisição dos veículos – desapropriações e manutenção e gerenciamento) que superaria R$ 2.000.000.000,00 (Dois bilhões de reais), isso mesmo, uma cifra com onze zeros e que não interligaria o número ideal de bairros, via de consequência, não teria passageiros em quantidade que possibilitasse melhor custo benefício.

Só que ninguém ligado à Agecopa – Assembleia Legislativa – Governo do Estado vem a público apresentar esses números. E o mais sintomático do descaso atribuem o veto, ao VLT, sem maiores explicações, ao Governo Federal.

Por seu lado o Governador, divulga às pressas, que em dez dias, após o provável veto, dará início às obras do BRT! Ora, essa declaração não deve ser considerada ao pé da letra ou mesmo verossímil. É público e notório que qualquer um que venha ser o modal de transporte há umbilical ligação com as obras a cargo e de responsabilidade do DNIT. E essas estão paradas.

Não temos nenhuma obra de desbloqueio que possa ser havida como em conclusão ou em vias de tal! As chamadas obras de desbloqueio necessárias para o fluxo do tráfego, durante a realização da obras da mobilidade urbana e opção no futuro, não existem, embora a responsabilidade ao que consta é do Governo do Estado.

Não é possível que brinquem de fazer obras com factóides, a coletividade de mato Grosso está exigindo fatos e ações, sob pena de em 12 de junho de 2014 não termos nada, além da Arena do Pantanal, que dia a dia cresce e merece nos aplausos.

Ocorre e todos sabemos que a Copa de 2014 não é só possuir um belo e moderno templo para o exercício do jogo. É muito mais, e via de consequência, exige o cumprimento do caderno de encargos que apresentaram à FIFA.

Quem em sã consciência pode admitir que em dez dias teremos o início das obras? As desapropriações ainda estão pendentes de estudos técnicos e de avaliação. As licitações a cargo do DNIT estão suspensas. As obras a cargo do Estado e dos Municípios são segredos guardados sob pesada lápide.  Como deixar que se publique tamanho disparate quanto ao início das obras?

Ainda acredito que os homens que submeteram seus nomes e suas habilidades em prol do evento possuam brio e admitam que embora desejem com grande ardor a realização da Copa no Pantanal, não estão suficientemente aptos ao desempenho de suas atuais funções.

Há indefinição, há desinformação, há dúvidas, faltam esclarecimentos, faltam obras, faltam relatórios e responsabilidade social pelos operadores dessa função pública destinada à realização da Copa de 2014. Gostaria de escrever que as escolhas das pessoas e das obras são excelentes. Gostaria de tecer elogios aos componentes da Agecopa, do Governo e dos Alcaídes de Cuiabá e Várzea Grande, ocorre que no momento isso está inviabilizado por eles mesmos.

Já que está tudo como o samba do crioulo doido, darei minha colaboração. Agora, só falta que a parte invisível das obras seja também indefinida e de má qualidade. Qualquer leigo sabe que a base de concreto de alta durabilidade exige componentes sólidos e não reagentes ao calor e umidade, utilizando, principalmente pedra britada de origem granítica, vedando-se a utilização e brita de origem calcária.

Voltarei ao tema “pedra britada”, com dados técnicos que demonstrarão porque nosso asfalto é tão frágil. Ah ia esquecendo, a pista do Aeroporto que sofre com pousos e decolagens de aviões bem mais pesados que nossos automóveis é feita com granito britado, daí que lá não se tem tapa buracos. No Estado de São Paulo é vedada a utilização de brita calcária em obras públicas e particulares.

Por:Álvaro Marçal Mendonça – Advogado e Corinthiano