Category Archives: Comportamento

Comportamento

Pesquisa: mães temem comparação com outras e mentem sobre os filhos

Publicado por

Levantamento realizado pelo site britânico Netmuns indica que mães tendem a omitir fatos sobre a criação de seus filhos quando conversam sobre o assunto com outras mães. Elas não revelam, por exemplo, a quantidade real de horas que as crianças passam em frente à TV ou o que os filhos realmente comem, revelou a pesquisa.

Estas omissões, ou mesmo “mentiras”, também se aplicam a questões como quanto tempo passam com o parceiro, revelou o estudo.A pesquisa contou com a participação de cinco mil pessoas.

O site, que oferece suporte e aconselhamento sobre assuntos ligados à maternidade e à educação dos filhos, disse que com frequência mães sofrem pressão para se adequar a um ideal de perfeição, e que, por isso, acabam omitindo fatos sobre a educação dos filhos. “As mães precisam ser mais honestas umas com as outras”, disse Siobhan Freegard, uma das fundadoras do site Netmums, que possui 840 mil membros em vários pontos da Grã-Bretanha.

O site está pedindo que as pessoas sejam mais honestas ao descrever sua vida familiar para que as mães não se sintam forçadas a se enquadrar em padrões idealizados de maternidade.

Dormindo ou fazendo bolo?
Quase dois terços dos entrevistados disseram que tinham sido pouco francas ao descrever quão bem estavam lidando com as dificuldades da vida familiar e quase a metade omitiu preocupações financeiras. Cerca de um quarto das mães admitiu não dizer a verdade sobre quantas horas de televisão as crianças assistem. E um quinto exagerou a quantidade de tempo dedicado a brincadeiras com as crianças.

Freegard citou o caso de uma mãe que, exausta, decidiu voltar para a cama durante o dia. Quando lhe perguntaram por que não havia atendido o telefone, ela disse que estava fazendo biscoitos e que suas mãos estavam cobertas de farinha.

Segundo os autores do estudo, outra situação comum em que mães são pouco francas é em conversas com outras mães no portão da escola. Muitas mães não se sentem à vontade quando comparadas à outras e esse sentimento de inadequação seria resultado de pressão social: mais de nove entre dez entrevistadas admitiram comparar-se a outras mães.

O site está lançando uma campanha que incentiva os pais a aceitarem a realidade que vivem, ao invés de se sentirem mal por não poderem se adequar a um mito de perfeição. “A imperfeição nos torna humanos”, disse Freegard.

Forte Pressão
Uma das entrevistadas, identificada como Becky, disse que era difícil ser honesta: “Minha amiga estava me dizendo que limitava o acesso do filho ao Playstation e eu concordei, dizendo que meu filho também só jogava uma hora por dia, depois de fazer a lição de casa”. “Depois de dizer isso, me senti mal por não dizer a verdade, é muito difícil levantar a mão e admitir que você educa seus filhos diferentemente dos seus amigos”, acrescentou.

O sociólogo e especialista em educação na família Frank Furedi disse que os pais sofrem “pressões profundas” da sociedade. Ele acrescentou que, mesmo com as melhores intenções, relatórios como o estudo feito pelo site Netmums aumentam a pressão sobre os pais. “Pais são sempre julgados, de uma forma ou de outra – incluindo por meio deste estudo. A solução real é deixar os país à vontade e publicar menos pesquisas”.

A psicóloga Linda Papadopoulos aconselhou aos pais que deixem de comparar-se uns aos outros. “Você está competindo com ninguém além de você mesmo – tudo o que você pode fazer é buscar o melhor para você e seu filho”.

Comportamento

Jovens disciplinados e determinados têm menos chance de consumir drogas, aponta pesquisa da Unifesp

Publicado por

Realizado com estudantes de São Paulo, estudo mostra a importância das características individuais no combate ao uso de drogas na adolescência
O consumo de drogas entre os jovens é motivo de preocupação e debate na sociedade atualmente. Levantamento realizado pelo departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, em 28 escolas da rede particular de ensino de São Paulo indicou que a droga mais consumida pelos adolescentes no mês anterior à pesquisa foi o álcool (50,2%), seguida do tabaco (14,1%) e outras drogas (11,6%). Foram entrevistados 2.691 estudantes do ensino médio, a maioria com idade entre 15 e 16 anos.
Apesar de índices tão elevados, a pesquisa também apresentou um aspecto interessante da questão: quais fatores que afastam esses mesmos jovens do envolvimento com drogas. Em sua dissertação de mestrado, a pesquisadora Tatiana de Castro Amato concluiu que determinadas características avaliadas nesses estudantes, como autoestima, determinação, disciplina e adaptabilidade, estão relacionadas a uma menor probabilidade do abuso de álcool e tabaco associado ao uso de outras drogas.
“Esse resultado ressalta a relevância de ações e valores, especialmente a disciplina e determinação, para prevenção ao uso de drogas na adolescência, cuja prática tem sido um grande desafio”, diz Tatiana Amato. “Esses fatores estão mais relacionados à prática esportiva e ao bom desempenho escolar. Saber que eles também se relacionam ao menor uso de drogas os tornam mais preciosos para o desenvolvimento do adolescente”, explica.
Na prática
De acordo com ela, existem poucos trabalhos que abordem quais comportamentos ou características dos adolescentes diminuem as chances de envolvimento com o uso abusivo de drogas ou de comportamentos de risco. “A maioria deles tenta somente responder o que leva alguém a usar drogas”, completa, ressaltando a importância do estudo.
A redução da vulnerabilidade dos adolescentes a partir do investimento em hábitos, características internas e ambientes saudáveis ao desenvolvimento deve ser objetivo dos programas de promoção da saúde. Como lembra Tatiana, “algumas intervenções em escolas e serviços de saúde, com foco em autonomia e responsabilidade do adolescente, têm se mostrado eficientes na prevenção ao uso de drogas”.

Realizado com estudantes de São Paulo, estudo mostra a importância das características individuais no combate ao uso de drogas na adolescência
O consumo de drogas entre os jovens é motivo de preocupação e debate na sociedade atualmente. Levantamento realizado pelo departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo – Unifesp, em 28 escolas da rede particular de ensino de São Paulo indicou que a droga mais consumida pelos adolescentes no mês anterior à pesquisa foi o álcool (50,2%), seguida do tabaco (14,1%) e outras drogas (11,6%). Foram entrevistados 2.691 estudantes do ensino médio, a maioria com idade entre 15 e 16 anos.
Apesar de índices tão elevados, a pesquisa também apresentou um aspecto interessante da questão: quais fatores que afastam esses mesmos jovens do envolvimento com drogas. Em sua dissertação de mestrado, a pesquisadora Tatiana de Castro Amato concluiu que determinadas características avaliadas nesses estudantes, como autoestima, determinação, disciplina e adaptabilidade, estão relacionadas a uma menor probabilidade do abuso de álcool e tabaco associado ao uso de outras drogas.
“Esse resultado ressalta a relevância de ações e valores, especialmente a disciplina e determinação, para prevenção ao uso de drogas na adolescência, cuja prática tem sido um grande desafio”, diz Tatiana Amato. “Esses fatores estão mais relacionados à prática esportiva e ao bom desempenho escolar. Saber que eles também se relacionam ao menor uso de drogas os tornam mais preciosos para o desenvolvimento do adolescente”, explica.
Na práticaDe acordo com ela, existem poucos trabalhos que abordem quais comportamentos ou características dos adolescentes diminuem as chances de envolvimento com o uso abusivo de drogas ou de comportamentos de risco. “A maioria deles tenta somente responder o que leva alguém a usar drogas”, completa, ressaltando a importância do estudo.
A redução da vulnerabilidade dos adolescentes a partir do investimento em hábitos, características internas e ambientes saudáveis ao desenvolvimento deve ser objetivo dos programas de promoção da saúde. Como lembra Tatiana, “algumas intervenções em escolas e serviços de saúde, com foco em autonomia e responsabilidade do adolescente, têm se mostrado eficientes na prevenção ao uso de drogas”.